sábado, 8 de outubro de 2011

POESIA E JARDIM


RENOIR - MONET PINTANDO NO JARDIM-
ROSEANA MURRAY

INFINITO É O JARDIM

Infinito é o jardim
das delicadezas,
semeado desde
o primeiro dia do mundo.

Há que alimentá-lo,
hora por hora,
com palavras e gestos
e pedaços de alma.

Há que ser incansável
jardineiro:
para este jardim
cada sorriso é um sol

quinta-feira, 6 de outubro de 2011


-DESCONHEÇO A AUTORIA -

AQUI NÃO ESTÁ CHOVENDO E EU NÃO ESTOU TRISTE...MAS ISSO
É MUITO BONITO...

FERNANDO PESSOA
Chove. Há silêncio, porque a mesma chuva
Não faz ruído senão com sossego.
Chove. O céu dorme.
Quando a alma é viúva
Do que não sabe, o sentimento é cego.
Chove. Meu ser (quem sou) renego...
Tão calma é a chuva que se solta no ar
(Nem parece de nuvens) que parece
Que não é chuva, mas um sussurrar
Que de si mesmo, ao sussurrar, se esquece.
Chove. Nada apetece...
Não paira vento, não há céu que eu sinta.
Chove longínqua e indistintamente,
Como uma coisa certa que nos minta,
Como um grande desejo que nos mente.
Chove. Nada em mim sente...

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

POESIA E PRIMAVERA


(DESCONHEÇO A AUTORIA)

-COM LICENÇA POR AGORA JÁ SER OUTUBRO...-
Meditação à Beira de um Poema
ADÉLIA PRADO

Podei a roseira no momento certo
e viajei muitos dias,
aprendendo de vez
que se deve esperar biblicamente
pela hora das coisas.
Quando abri a janela, vi-a,
como nunca a vira,
constelada,
os botões,
alguns já com o rosa-pálido
espiando entre as sépalas,
jóias vivas em pencas.
Minha dor nas costas,
meu desaponto com o limite do tempo,
o grande esforço para que me entendam
pulverizaram-se
diante do recorrente milagre.
Maravilhosas faziam-se
as cíclicas perecíveis rosas.
Ninguém me demoverá
do que de repente soube
à margem dos edifícios da razão:
a misericórdia está intacta,
vagalhões de cobiça,
punhos fechados,
altissonantes iras,
nada impede ouro de corolas
e acreditai: perfumes.
Só porque é setembro.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

CHUVA E ESTADOS DE ALMA


PARIS COM CHUVA-PLACE DE THEATRE-CAMILE PISSARRO

PRIMEIRA CHUVA DE PRIMAVERA
ELIANA MIRANZI


A PRIMEIRA CHUVA DE PRIMAVERA CHEGA MANSA, SILENCIOSA E BRANDA.
LAVA O CÉU, LAVA A TERRA, NOSSA ALMA, NOS REFRESCA, LIMPA TUDO. ME PARECE UM BOM SINAL. PRENÚNCIOS DE UMA ESTAÇÃO BENÉFICA, GENEROSA, DISCRETA.
ASSIM TAMBÉM ESTÁ MEU CORAÇÃO: CALMO, SERENO, SEM ANGÚSTIAS.
AS FLORES NESTE FIM DE SECA EXPLODIRAM EM CORES EXAGERADAS, DESPUDORADAS, INESCRÚPULOSAS.
A CHUVA VEM ACALMAR TODO ESTE EXAGERO DIVINAMENTE MARAVILHOSO, ESFUSIANTE E ÚNICO.
AGORA ME PARECE QUE ESTA CHUVINHA MANSA NOS ENSINA, NOS PEDE CALMA, RELAXAMENTO, CADA COISA DE UMA VEZ, SE POSSÍVEL, GOTA A GOTA... VAMOS LÁ....
NÃO É PRECISO PARAR, MAS TAMBÉM NÃO É MAIS HORA DE CORRER.
NÃO FAZ SENTIDO TER PRESSA, SE TUDO TEM SEU PRÓPRIO TEMPO E RÍTMO.
É O QUE NOS DIZ A NATUREZA AGORA. E É PRECISO ESTAR EM SINTONIA COM ELA. ISSO É FUNDAMENTAL.
BONS NOVOS TEMPOS.


Canção da Primavera
MÁRIO QUINTANA



Primavera cruza o rio
Cruza o sonho que tu sonhas.
Na cidade adormecida
Primavera vem chegando.

Catavento enloqueceu,
Ficou girando, girando.
Em torno do catavento
Dancemos todos em bando.

Dancemos todos, dancemos,
Amadas, Mortos, Amigos,
Dancemos todos até
Não mais saber-se o motivo...

Até que as paineiras tenham
Por sobre os muros florido!