sexta-feira, 1 de julho de 2011

POETAS



POEMA
FERNANDO PESSOA

PARA SER GRANDE, SÊ INTEIRO:
NADA TEU EXAGERA OU EXCLUI.
SÊ TODO EM CADA COISA.
PÕE QUANTO ÉS
NO MÍNIMO QUE FAZES.
ASSIM EM CADA LAGO A LUA TODA
BRILHA, PORQUE ALTA VIVE.

BIOGRAFIA DE FERNANDO PESSOA
13/06/1888, Lisboa (Portugal)
30/11/1935, Lisboa (Portugal)

Fernando Antônio Nogueira Pessoa nasceu em 13 de junho de 1888 em Lisboa. Em 1893 morre seu pai e em 1894, seu irmão, Jorge. No ano seguinte, sua mãe casa-se com João Miguel Rosa, cônsul português em Durban, na África do Sul. Em 1896, a família parte para Durban onde Fernando Pessoa estuda e aprende o inglês. Em 1905, ele regressa definitivamente a Lisboa, com intenção de se inscrever no Curso Superior de Letras. Lê Shakespeare, Wordsworth e filósofos gregos e alemães. Toma contato com a poesia francesa, especialmente a de Baudelaire e lê os poetas portugueses Cesário Verde e Camilo Pessanha. Em 1907, abandona o curso superior e monta uma tipografia que mal chega a funcionar. No ano seguinte, começa a trabalhar como correspondente estrangeiro em casas comerciais, profissão que exerceu até a morte. Pessoa escolhe uma vida discreta, mas livre, sem obrigações fixas, nem horários. Em 1912, Pessoa inicia sua colaboração na revista A Águia. Inicia correspondência com Mário de Sá-Carneiro que, de Paris, manda a Pessoa notícias do Cubismo e do Futurismo. Pessoa escreve, em inglês, o poema Epithalamiun e, em português, o drama O Marinheiro. Vai elaborando o projeto de vários livros e traz um novo movimento: o Paulismo, tudo isso no ano de 1913. No ano seguinte, publica Paúis, sob o título de Impressões do Crepúsculo e aparecem os heterônimos*: Alberto Caeiro e seus discípulos Ricardo Reis e Álvaro de Campos. Fernando Pessoa compõe Ode Triunfal, encaminhando-se para o Sensacionismo e para o Futurismo, sob o heterônimo de Álvaro de Campos. Compõe ainda Chuva Oblíqua (poesia ortonímica), delineando o Interseccionismo. Em 1915, surge a revista Orpheu, marco do Modernismo em Portugal. O primeiro número, dirigido por Luís Montalvor e Ronald de Carvalho, publica os poemas Ode Triunfal e Opiário (Álvaro de Campos) e O Marinheiro (Fernando Pessoa). No segundo número, saem Chuva Oblíqua e Ode Marítima. No mesmo ano, Fernando Pessoa inicia-se no esoterismo, traduzindo um Tratado de Teosofia. Em 1919, escreve Poemas Inconjuntos, assinados por Alberto Caeiro, apesar deste ter morrido em 1915. Em 1920, Pessoa passa a morar com sua mãe, que regressara, viúva, da África do Sul. Ela falece em 1925. Cinco anos depois, Pessoa escreve mais poemas, assinados por seus heterônimos. Em 1934, publica Mensagem, livro de poemas de cunho místico-nacionalista, única obra em português publicada em vida. Em 1935, no dia 30 de novembro, no Hospital São Luís, em Lisboa, morre Fernando Pessoa.
*Os heterônimos (diz-se de autor que publica um livro sob o nome verdadeiro de outra pessoa)
Os principais heterônimos de Fernando Pessoa são:
1- Alberto Caeiro, nascido em Lisboa em 16 de abril de 1889 - o mais objetivo dos heterônimos. Busca o objetivismo absoluto, eliminando todos os vestígios da subjetividade. É o poeta que se volta para a fruição direta da Natureza; busca "as sensações das coisas tais como são". Opõe-se radicalmente ao intelectualismo, à abstração, à especulação metafísica e ao misticismo. Neste sentido, é o antípoda de Fernando Pessoa "ele-mesmo", é a negação do mistério, do oculto. Coerente com a posição materialista, antiintelectualista, adota uma linguagem simples, direta, com a naturalidade de um discurso oral. Os versos simples e diretos, próximos do livre andamento da prosa, privilegiam o nominalismo, a "sensação das coisas tais como são". É o menos "culto" dos heterônimos, o que menos conhece a Gramática e a Literatura. Mas, sob a aparência exterior de uma justaposição arbitrária e negligente de versos livres, há uma organização rítmica cuidada e coerente. Caeiro é o abstrador paradoxalmente inimigo de abstrações; daí a secura e pobreza lexical de seu estilo.
2- Ricardo Reis, nascido no Porto em 19 de setembro de 1887 - representa a vertente clássica ou neoclássica da criação de Fernando Pessoa. Sua linguagem é contida, disciplinada. Seus versos são, geralmente, curtos, tendendo à vernaculidade e ao formalismo. Tem consciência da fugacidade do tempo; apóia-se na mitologia greco-romana; apresenta-nos uma musa (Lídia) e, filosoficamente, é adepto do estoicismo e do epicurismo (saúde do corpo e da mente, equilíbrio, harmonia) para que se possa aproveitar a vida, mas sem exageros, sossegadamente, porque a morte está à espreita. Médico que se mudou para o Brasil.
3- Álvaro de Campos, nascido no Porto em 19 de setembro de 1887 - é o lado "moderno" de Fernando Pessoa, caracterizado por uma vontade de conquista, por um amor à civilização e ao progresso, por uma linguagem de tom irreverente. Essa modernidade tem ligações claras com o cosmopolita Cesário Verde, com Walt Whitman e com o Futurismo. Sentindo e intelectualizando suas sensações (sentir e pensar), Campos percebe a impossibilidade de não pensar, observa criticamente o mundo e a si próprio, angustiando-se diante do tempo inexorável e do absurdo da vida. Apresenta-se como o engenheiro inativo, inadaptado, inconciliado, com consciência crítica.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Grandes Artistas


BAHIANA - CARIBÉ -

BIOGRAFIA DE CARIBÉ – (SITE:PITORESCO) -

Argentina, Itália e Brasil
Carybé (1911-1997), nome artístico de Hector Julio Paride Bernabó, pintor figurativo brasileiro de origem argentina, cuja estilização gráfica aproximou-se da abstração.
Nasceu na cidade de Lanús e, após ter vivido na Itália dos 6 meses aos 8 anos de idade, radicou-se no Brasil, inicialmente no Rio de Janeiro, onde estudou na Escola Nacional de Belas Artes.
Baiano de puro sangue
Em 1938, foi para Salvador, fixando-se definitivamente na Bahia a partir de 1950. Sete anos mais tarde, naturalizou-se brasileiro.
Recebeu o apelido de Carybé (nome de um peixe de água doce pelo qual é internacionalmente conhecido) na época em que era escoteiro, porque esse era o nome de sua barraca de acampamento.
Suas obras, tanto pinturas como desenhos, esculturas e talhas, refletem a chamada baianidade, através da representação do cotidiano, do folclore e de suas cenas populares. Em 1955, foi escolhido como o melhor desenhista nacional na III Bienal de São Paulo.
Inspirado pela cultura afro-brasileira, no início da década de 1970 dedicou-se a fazer talhas que focalizavam seus rituais e orixás, em obras como Festa de Nanã, Alá de Oxalá, Ajerê e Pilão de Oxalá.
Em seus desenhos e aquarelas, predominam a cor sépia, como no álbum Sete portas da Bahia. Além desses trabalhos, destacou-se pela criação de murais, hoje expostos em São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Montreal, Buenos Aires e Nova York.
Artista multifacetado
Também fez ilustrações de obras literárias, como Macunaíma, de Mário de Andrade, O sumiço da santa, de Jorge Amado.
Exibiu seus trabalhos em mostras coletivas e individuais desde 1940. Entre elas, destacam-se as realizadas no Museu Municipal de Buenos Aires e nas galerias Nordiska, Amalta e Viau, na Argentina; na Galeria Oxumaré, em Salvador; no Salão Nacional de Arte Moderna, no Rio; e na I Bienal Nacional de Artes Plásticas da Bahia. Frequentador assíduo dos terreiros de candomblé baianos, embora dissesse não acreditar na vida após a morte, faleceu, no dia 1º de outubro de 1997, no terreiro Ilê Axé Opô Afonjá, depois de sofrer um enfarte.
Fonte: Encarta/2000

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Grandes artistas


ANITA MALFATTI - "PEDRAS NA PRAIA"-

ANITA MALFATTI - "MARIO DE ANDRADE" -

Anita Malfatti
(Pintora brasileira)
2-12-1889, São Paulo
6-11-1964, São Paulo



Pintora paulista, Anita Catarina Malfatti foi uma das inspiradoras do movimento modernista brasileiro. Iniciou seus estudos na Alemanha, entre 1910 e 1914, freqüentando a Academia Imperial de Belas-Artes de Berlim. Foi influenciada pelo expressionismo germânico e pelo cubismo francês. De volta ao Brasil, em 1914, fez sua primeira exposição individual em São Paulo, sem sucesso; em seguida, viajou para os Estados Unidos, permanecendo em Nova York até 1916. Em 1917, sua segunda exposição marcou o início do movimento modernista. As obras que mostrou, entre elas O Homem Amarelo, A Estudante Russa, A Mulher de Cabelos Verdes e O Japonês, chocaram o público e lhe renderam uma crítica violenta do escritor Monteiro Lobato, que escreveu o artigo "Paranóia ou Mistificação?", publicado no jornal O Estado de S. Paulo. Reuniram-se a favor da artista os modernistas Di Cavalcanti, Guilherme de Almeida e Mário de Andrade. Oswald de Andrade publicou em sua defesa um artigo no Jornal do Comércio. Abalada pelas críticas, a artista retraiu-se. Mas, estimulada pelos modernistas, participou da Semana de Arte Moderna de 1922, com a maior representação individual. Um ano depois, foi para Paris, onde permaneceu até 1928. Nesse período, sua pintura tornou-se intimista. De volta ao Brasil, participou da I Bienal de Artes de São Paulo, em 1951, como artista convidada, e teve 45 quadros expostos em uma sala especial da VII Bienal (1963).

terça-feira, 28 de junho de 2011

Poetas/Grandes Artistas


THEODORE ROBINSON -A KING'S DAUGHTER -

BIOGRAFIA DE THEODORE ROBINSON - NORTE AMERICANO -

Nasceu em Irasburg, estado de Vermont, EE.UU. Foi criado em Evansville, Wisconsi, onde seu pai, que era ministro da Igreja Metodista, tinha uma loja de roupas.
Aos 18 anos foi estudar em Chicago, no Instituto de Artes. Sofria de asma crônica e por isso foi mandado para Denver, Colorado, para tratamento. Mais tarde estudou também em Nova York. Foi um dos fundadores da Liga de Estudantes de Artes, cujo nome ele sugeriu.
Em 1877 foi para Paris a estudos. Dois anos depois esteve em Veneza, onde ganhou um pequeno quadro de um amigo, o que provavelmente influenciou seu estilo. Retornou aos EE.UU. em 1880. Trabalhou como professor e também como decorador para uma importante firma de Boston.
Em 1884 retornou para a França, onde conheceu Monet, o que foi decisivo para sua carreira. O impressionismo estava no auge e Monet chamou sua atenção para a natureza. A partir daí, Giverny foi um ponto fixo em sua vida, onde ele sempre ficava entre suas idas e vindas aos EE.UU. Não era aluno de Monet, mas recebia deste forte influência. Apesar de ser muito tímido e de não ter muita auto-confiança, era independente e não aceitava facilmente sugestões em seu trabalho. Trocavam opiniões, ele e Monet e no estúdio deste Robinson passava horas estudando a arte do amigo.
Gostava muito de viajar e freqüentemente desaparecia sem avisar onde se encontrava. Vivia modestamente, só, e nunca se casou. Foi um pioneiro do impressionismo nos EE.UU., sendo considerado um dos mais brilhantes artistas do período. Dizia que havia nascido para fazer rascunhos, mas sua obra, até hoje admirada e respeitada, o desmente. Apesar de ser reconhecido em vida, teve que dar aulas para sobreviver até a morte.
Morreu de um ataque de asma em Nova York em 1896.

Convite
Lya Luft


Não sou a areia
onde se desenha um par de asas
ou grades diante de uma janela.
Não sou apenas a pedra que rola
nas marés do mundo,
em cada praia renascendo outra.
Sou a orelha encostada na concha
da vida, sou construção e desmoronamento,
servo e senhor, e sou
mistério
A quatro mãos escrevemos este roteiro
para o palco de meu tempo:
o meu destino e eu.
Nem sempre estamos afinados,
nem sempre nos levamos
a sério.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Grandes Artistas


MATISSE - ICARUS - (JAZZ)

BIOGRAFIA DE HENRI MATISSE
1869/1964 – FRANÇA -


Nascido Henri-Émile Benoît Matisse foi um destacado pintor, escultor e artista gráfico francês. Filho de Émile Hippolyte Matisse, um comerciante de grãos e de Anna Heloise Gerard, pintora de porcelanas.
Formou-se em Direito, em 1887, mas não exerceu a função pois achava as leis um assunto um tanto entediante. Aos 22 anos, mudou-se para Paris para estudar arte e matriculou-se na Academie Julian, onde foi aluno de William-Adolphe Bouguereau, e depois no ateliê do pintor Gustave Moreau.
Em 1894 nasceu sua filha Marguerite, fruto do relacionamento que teve com a modelo Caroline Joblau. Marguerite serviu como modelo para Matisse durante vários anos.
Em 1898, aos 28 anos casa-se com Amélie Noellie Parayre que dá grande incentivo à sua vida artística. Desse casamento nascem dois filhos: Jean, em 1899 e Pierre, em 1900.
Fauvismo
Depois de anos de estudos, de 1900 a 1905 participou da mostra Salão dos Independentes e Salão de Outono, em Paris, e integrou o grupo dos pintores fauvistas que se caracterizava pela simplificação das formas, o uso das cores de forma aleatória e que não correspondiam à realidade, redução do nível de graduação das cores sem nuances, até o uso da cor pura, sem misturas.
Predominavam temas leves sem intenções críticas, a não ser a da representação. O fauvismo, derivado de "fauve" (animal selvagem) contou também com a participação de outros artistas, entre eles, André Derain, Maurice de Vlaminck, Raoul Dufy, Georges Braque, Henri Manguin, Albert Marquet, Jean Puy e Emile Othon Friesz.
Em sua primeira fase, Matisse assumia claramente influências de Paul Cézanne, como na obra "Nu no Estúdio" (1898), onde, em pinceladas fortes, especialmente, a figura humana se destacava num fundo difuso. Mas assume também outras influências, como as de Paul Gauguin e Van Gogh, com a valorização da massa de cor como um elemento representativo da composição, tanto quanto o motivo representado e essa concepção que seria desenvolvida mais tarde, teria grande importância na sua arte.
A partir de 1906 até 1912 empreende diversas viagens. Da Argélia volta influenciado pelo uso decorativo da arte islâmica e introduz o decorativismo na sua pintura. Viaja também para o Marrocos. Dessa época, as pinturas "Harmonia em Vermelho" (1908), "A Dança" (1909) e "A Música" (1910), se destacam pelo uso de cores fortes, movimento e linhas, além de florais decorativos.
A partir daí passa a ser um artista bastante divulgado e considerado e a influenciar a arte de seu tempo, com um estilo que se caracterizava pelo uso de cores em tonalidades fortes, mas ao mesmo tempo, combatida por uma parcela da burguesia francesa apreciadora de arte, que a consideravam como uma diluição da arte. Matisse cria um estilo simplificado em que o uso da cor chapada, sem nuances, é limitada pelo traço e desaparecem os volumes. Para Matisse, o desenho, a cor e a composição eram uma síntese e nenhum dos três elementos se destacariam, mas formavam um todo.
Matisse e Pablo Picasso desenvolvem, a partir de 1907, uma estreita relação de amizade que duraria até a velhice dos dois, e freqüentemente trocavam quadros entre si. Essa amizade também revelou uma sutil competição entre os dois artistas.
Os "papiers collés"
Em 1920 mudou-se para Nice, e passou a pintar quadros de grande riqueza cromática como na série das Odaliscas, em que aparecem mulheres semivestidas com roupas exóticas, em ambientes decorados, com flores. Exemplo disso são as telas "Odaliscas com Magnólias" (1924) e "Duas Odaliscas" (1928). A sensualidade feminina passa a ter grande importância e presença na sua obra.
Quando em 1930, o uso da tinta óleo se tornou proibido, por problemas de saúde, começou a trabalhar com recortes de papel, técnica que continuou praticando até o fim da vida. Passa a usar também o carvão, como em "Tete de Femme" (1931). Nessa época, o trabalho de Matisse torna-se cada vez mais arte gráfica, em contraposição a arte plástica. Exemplo disso é a técnica de "papiers collés", como ilustrações do livro Jazz (1947) e a série "Nu bleu" (1952), papel pintado a guache, recortado e colado.
Exerceu atividades de desenhista e ilustrador, com destaques para a edição de Poesies de Stephane Mallarme (1932), Ulisses, de James Joyce (1935) e Les Fleurs du Mal, de Baudelaire (1944), usando a técnica da água-forte, xilografia e litografia.
Em 1941 é vítima de câncer e operado passa depender de uma cadeira de rodas para se locomover.
Entre 1948 e 1951 dedicou-se à decoração da capela do Rosário em Saint-Paul, perto de Vence, no sul da França. Matisse, concebeu todos os detalhes, dos vitrais ao mobiliário, onde pode desenvolver a sua concepção religiosa das formas, com a presença dos florais em arabescos nos vitais. Ficou tão satisfeito com o resultado desse trabalho que, apesar de tudo o que realizou, passou a considerá-lo como a sua melhor obra.
Nesse ano de 1948 é apresentada uma retrospectiva de seu trabalho no Museu da Arte Moderna, de Nova York.
A colagem "Tristeza do Rei" (1952) na técnica de "papiers collés" é uma das suas últimas obras. Nela, a figura do rei, em negro com uma viola entre as mãos, seria a tristeza do próprio Matisse, adoentado, preso a uma carreira de rodas, desde 1941 e que viria a falecer em 3 de novembro de 1954, de ataque cardíaco, aos 84 anos de idade. (AAR)
Enciclopédia Britânica e henri-matisse.net