sexta-feira, 30 de setembro de 2011


"A PERSPICÁCIA"- RENÉ MAGRITTE-

GUIMARÃES ROSA
"QUANDO PASSARINHO SE DEBRUÇA, O VÔO JÁ ESTÁ PRONTO"

terça-feira, 27 de setembro de 2011

SONHOS E CIÊNCIA


-OBRA DE ESCHER-

Psicologia dos Sonhos
"O sonho é a estrada real que conduz ao inconsciente."
(Sigmund Freud)

O sonho é uma manifestação criativa da psique (mente inconsciente e consciente) e transcende os meros cinco sentidos. Portanto, os sonhos podem, de forma simbólica e numa linguagem própria, revelar questões de sua personalidade que precisam ser trabalhadas. Além de apresentar soluções para problemas do cotidiano e regular suas emoções internas.
Os sonhos se constituem de uma forma especial de consciência.A importância do sono REM para o desenvolvimento da criança e, eventualmente de sua consciência, se revela no fato de que o sono REM (que mostra correlação fisiológica com os sonhos) corresponde a cerca de 50% do tempo total de sono em recém-nascidos e reduz-se progressivamente até a idade adulta.
Segundo F. Crick e G. Mitchison, o sono é necessário para apagar as informações erradas que são armazenadas no cérebro durante o período em que o indivíduo está acordado; os sonhos são o reflexo deste processo.

Isto poderia explicar porque as crianças cujo ritmo de aprendizagem é intenso, apresentam mais sono REM que os adultos. Elas necessitam, segundo esta idéia, esquecer as diversas associações erradas ou sem sentido que se formam durante a sua aprendizagem quando estão acordadas, favorecendo, desta forma, o armazenamento das associações ou informações aprendidas que são verdadeiramente importantes.
A psicanálise, porém, não aceita essa tese tão simplista.
Segundo esta o sonho é um meio pelo qual o inconsciente procura alertar a consciência para o que ela não percebe ou não quer aceitar, e tenta, por compensação, equilibrar a psique, a totalidade de fenômenos psíquicos. Os sonhos trazem à tona os complexos e sugerem alternativas para a consciência,( cujo centro é o ego), realizar o que a pessoa é potencialmente. Ou seja, os sonhos são avisos.
Carl Jung não reduz os sonhos à satisfação de desejos reprimidos no inconsciente pessoal, como o fez Freud. Ele os toma como mensageiros de complexos. Segundo ele, anexo a nossa consciência imediata existe um segundo sistema psíquico, de natureza coletiva, universal e impessoal, que se revela idêntico em todos os indivíduos. Povoando esse inconsciente coletivo há os arquétipos (imagens primordiais ou símbolos, impressos na psique desde o começo dos tempos e, a partir de então transmitidos à humanidade inteira).
A mãe, o pai, a criança, a anima, o animus, o herói, a sombra, com seus temas associados, são exemplos de tais arquétipos, representados mundialmente em mitos, histórias infantis e sonhos. As mensagens arquetípicas nos sonhos conferem uma forma definida a determinado conteúdo psíquico do inconsciente e quase sempre assumem imagens simbólicas.
A psique coletiva, que é uma seleção de arquétipos de um povo numa dada época de sua história, molda a psique individual (a personalidade de cada um de nós). Todavia, no fundo, a coletiva é a exteriorização das individuais. Desse modo, a psique coletiva e a individual existem numa relação dialética.
"Dentro de cada um de nós há um outro que não conhecemos. Ele fala conosco por meio dos sonhos."
(Carl Jung)

Desde as mais remotas épocas, os homens procuram entender as mensagens ou os significados desses fenômenos intrigantes e misteriosos que são os sonhos. O que tem variado, ao longo do tempo, é a importância atribuída e a compreensão que se tem deles. Se os sonhos são vistos como série de imagens que aparecem sem sentido para a personalidade do sonhador ou se são encarados como mensagens do além, isso demonstra apenas diferentes interpretações, as quais refletem o status ou a valorização dados a eles.
Uma das funções dos sonhos é, justamente, contrabalançar a racionalidade do pensamento verbal com um pensamento em imagens e símbolos. Sua lógica é afetiva, figurativa. Não é linear, cartesiana, mas dramática, mitológica.
O sonho é importante por indicar inter-relações não sabidas, mas existentes. Mesmo que pareça fugaz, já que escapa à captação e a retenção na memória, ele mobiliza impressões profundas que não podem ser transmitidas verbalmente, mas que permeiam e deixam sua marca em nós. Aquilo que em uma primeira observação parece estranho, ilógico, pode, em um exame mais cuidadoso e meticuloso, revelar seu significado e importância no desenvolvimento normal e em seus distúrbios.

Nossa vida e nossa história se constroem nos dias em que estamos acordados e nas noites em que dormimos e sonhamos. A psique diurna, consciente, e a psique noturna, inconsciente, apesar de diferentes, se completam para o todo que somos. Por meio dos sonhos estabelecemos uma comunicação com esse lado noturno, em geral desconhecido, mas não menos vivo e atuante.
O exame cuidadoso de um sonho mostra que sua configuração não é arbitrária. Sua linguagem é precisa em sua forma pictórica, simbólica. Na medida em que vamos compreendendo essas inter-relações, obtemos um vislumbre de sua coerência e lógica afetiva. Vamos ampliando nossa consciência. Saímos do plano da lógica habitual para abertura para as imagens, emoções, símbolos, enfim, para os aspectos não-racionais da alma.
Os sonhos estão relacionados tanto à nossa saúde psíquica quanto física. Freqüentemente, afecções corporais parecem constituir a dramatização dos conflitos psíquicos, ou questões vitais se manifestam no corpo, por falta de outros meios de expressão. Corpo e psique estão interligados ou, como diz Jung : "A psique e a matéria são aspectos diferentes de um único todo".
Como expressão simbólica do processo vital, o sonho tem implicações profundas e elevadas, para o físico e para o espiritual, para o corpo e para a psique. Ele pode ser um aliado valioso para a compreensão dessas interligações. Pode nos fornecer o mapa para a compreensão simbólica de sintomas psicossomáticos e, por vezes, de sua resolução. Pode constituir, assim, uma chave preciosa para nosso autoconhecimento e bem-estar.(SITE:VIRTUAL BPM)

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

SONHOS E ARTE


WATERFALL - ESCHER -

Sonhos -

Terapia formativa: Posturas Corporais Durante o Sonho Dizem Muito Sobre Você
O GLOBO ONLINE
Publicada em 03/07/2007
Tatiana Clébicar

RIO - Você se lembra do que sonhou hoje? Puxe pela memória e recorde qual era sua postura corporal. É assim, recorrendo à anatomia durante o sonho, que trabalha a psicologia formativaTM. A terapia foi desenvolvida pelo americano Stanley Keleman e parte do pressuposto que psiquismo e corpo estão diretamente associados. Trabalhar essa relação pode mudar a vida de uma pessoa, diz a a psicóloga Leila Cohn. Mestre em psicologia pelo California Institute of Integral Studies, nos Estados Unidos, ela trouxe a terapia para o Brasil.
O sonho é um ensaio para a vida. Ou uma tentativa de se reorganizarem experiências traumáticas.
- A função do sonho é nos presentear com algo a que não temos acesso conscientemente. Todos os personagens de um sonho são a própria pessoa. Temos que entender o que ele nos diz e fazer algo com isso - explica Leila, que trabalhou com o criador da técnica entre 1988 e 1994 e hoje é diretora do Centro de Psicologia FormativaTM do Brasil.

O método de trabalho consiste em reproduzir os movimentos do sonho com atenção a todos os detalhes. Em seguida, esse exercício é repetido em diferentes intensidades. Por exemplo, se no sonho o indivíduo sentia a musculatura rígida, ela tentará quatro graus de rigidez. A segunda etapa é desconstruir o movimento pouco a pouco.

- Durante a reprodução do movimento, a pessoa passa por uma experiência física e emocional, que traz sentimentos, emoções, lembranças. Depois conversamos sobre isso. Será que o sonho não é um pedido para que a pessoa seja menos rígida em seu cotidiano? O sonho é um ensaio para a vida. Ou uma tentativa de se reorganizarem experiências traumáticas - explica a especialista, contando que as sessões podem ser individuais ou grupos de trabalho por tema, como compulsão.

Segundo a psicóloga, o trabalho é neuromotor. O vai-e-vem da musculatura e dos sentimentos altera conexões cerebrais. E a cada postura dos músculos corresponde uma espécie de configuração neurológica, um mapa cerebral. Leila Cohn explica que as posturas são infinitas, mas há situações com que todos os seres humanos já sonharam: susto, fuga, virar-se, empurrar um objeto ou uma pessoa. No entanto, a interpretação dessas ações são individuais:

- Duas pessoas podem sonhar que estão caindo num buraco e experimentar o susto. Mas elas podem estar assustadas por motivos completamente diferentes: uma porque está se casando e a outra porque está se separando.

domingo, 25 de setembro de 2011

POESIA E SONHOS





DA NOITE
HILDA HILST

Vi as éguas da noite galopando entre as vinhas
E buscando meus sonhos. Eram soberbas, altas.
Algumas tinham manchas azuladas
E o dorso reluzia igual à noite
E as manhãs morriam
Debaixo de suas patas encarnadas.

Vi-as sorvendo as uvas que pendiam
E os beiços eram negros e orvalhados.
Uníssonas, resfolegavam.

Vi as éguas da noite entre os escombros
Da paisagem que fui. Vi sombras, elfos e ciladas.
Laços de pedra e palha entre as alfombras
E vasto, um poço engolindo meu nome e meu retrato.

Vi-as tumultuadas. Intensas.
E numa delas, insone, a mim me vi.

Hilda Hilst, in Do Desejo, ed. Globo

sábado, 24 de setembro de 2011

POESIA E PINTURA


EDGAR DEGAS- BAILARINAS DE AZUL -

A BAILARINA
ROSEANA MURRAY


Caminha na ponta dos pés
a bailarina,
como se o circo fosse feito
de neblina:
Vai bailar a bailarina,
vai voar a bailarina
e é tão fina, tão fina...
vira vento a bailarina,
vira nuvem, vira ilha,
e num último salto
ilumina o palco,
transformando o silêncio
em maravilha.

In O Circo, ed. Paulus, reedição, 2011