terça-feira, 31 de maio de 2011

CRIANÇAS NA ARTE

CRIANÇAS NA ARTE
Eliana Miranzi
Seja como tema central, seja como complementação de qualquer outro tema, as crianças sempre foram muito retratadas em todas as formas de arte, como podemos ver em todas as épocas, na pintura e escultura, por exemplo.
Aparecem em pinturas sacras representando o Menino Jesus, os Anjos (nossos guias, nossos protetores) e outras figuras dos textos sagrados.
Aparecem em pinturas e esculturas mitológicas como Eros/Cupido.
Na pintura histórica temos vários filhos de nobres retratados na infância, assim como temos crianças em quadros com temas do cotidiano (pintura de gênero).
Algumas vezes crianças são usadas em obras com os mais variados temas, como símbolos de algo que representam. Crianças simbolizam vida nova, esperança, futuro. Também podem simbolizar a pureza, a inocência, o novo, “aquilo que ainda não se realizou”, que está por vir a ser, ou acontecer. Podem, por outro lado, representar nossa mais íntima ligação com o Sagrado, com o Criador. Talvez por representarem também o “antes”, o início da criação, o nosso começo.
Imagens de crianças nos provocam um sentimento de afeto, de simpatia e muitas vezes nos fazem sorrir. É um sentimento doce, ocasionalmente nostálgico, sempre positivo; no sentido de que, mesmo que o tema envolva situações tristes, nos despertam a compaixão. Não ficamos indiferentes diante de uma imagem de uma criança.
Há em cada um de nós uma criança guardada lá no fundo do coração, da memória. A criança que já fomos ainda mora dentro de nós e se identifica e se reconhece ao observar uma imagem de outra retratada na arte.
O que nos provoca esse sentimento?
Por que somos tocados por cenas que contêm crianças, seja na pintura e escultura, na literatura, teatro, dança?
Que poder é esse que possuem tais imagens?
O que há no olhar de uma criança, que tanto nos toca?
São questões a serem respondidas por cada um de nós.
A seguir, algumas obras e referências a seus autores.

O VELHO E A CRIANÇA
DOMENICO GHIRLANDAIO – 1449/1494
Renascentista italiano, veio de uma família de pintores florentinos. Receberam este nome, pois faziam coroas, guirlandas em ouro e prata para adornar cabeças de homens e mulheres. Domenico também fazia mosaicos e afrescos. Tinha um grande número de discípulos, entre eles Michelangelo Buonarotti. Trabalhou um período em Roma, mas sempre viveu em Florença. Tinha um estilo conservador, nada inovador, mas agradava os fregueses comerciantes. Este quadro mostra calma, um ar doce e harmonioso. A paisagem serve como detalhe decorativo e também ilumina o quadro. Há um caminho, uma subida nessa paisagem, talvez possamos pensar em nossas escaladas na vida, nossos caminhos. O olhar trocado entre o homem e a criança é intenso. O que vêem um no outro?

HENRIQUE VIII
HANS HOLBEIN, O MOÇO
– 1497/1543
Artista nascido na Alemanha, aprendeu seu ofício com o pai, que tinha o mesmo nome. Morou na Basiléia. Também foi ilustrador. Excelente retratista, foi mais tarde para Londres, onde pintou Henrique VIII, entre outras figuras da corte inglesa.Seu trabalho observa criteriosamente as regras acadêmicas.Nesse retrato de Henrique VIII ainda bem pequeno, vemos uma bela criança que nasce já com seu destino traçado: o trono, que será, pelo que depois mostra a História, defendido com garra, por este homem(esta criança)que se torna um dos monarcas mais complexos de toda a Europa. Cruel, dono de uma personalidade que se revelaria extremamente voluntariosa e ególatra, casa-se por 06 vezes, executa algumas de suas esposas, despreza as convenções e funda sua própria Igreja, rompendo com Roma para poder satisfazer seus desejos insaciáveis. A pergunta é: há já nessa criança do retrato sinais desta personalidade distorcida?

JOGOS INFANTIS
PIETER BRUEGHEL, O MOÇO
– 1564/1638
Pintor flamengo. Seu pai também era pintor. Copiava as obras deste, assim como fazia seus próprios trabalhos com o mesmo tema e estilo. Toda sua família era de artistas. Pintavam cenas da vida cotidiana dos camponeses, episódios da Bíblia, provérbios, crianças brincando, etc. Muitos de seus quadros são cheios de personagens e podem ser entendidos como uma leitura de um texto. Os Brueghel foram influenciados por Hieronimous Bosch, também flamengo, que viveu um pouco antes deles. Mais tarde, os Surrealistas, por sua vez, confessaram sua admiração por Bosch. Em cada uma das pequenas cenas retratadas aqui nesta obra, Brueghel mostra crianças brincando, da maneira como faziam em seu tempo. É um relato da infância, uma reportagem de uma época. O quadro é intensamente povoado por incontáveis personagens. Seriam todos eles habitantes da memória ou da psique do artista?

DÉBORA E SUAS CRIANÇAS
PETER PAUL RUBENS
– 1577/1640
Pintor do período barroco, nasceu na Alemanha. Morou a maior parte de sua vida na Bélgica (Flandres e Antuérpia). Viajou pela Itália e serviu como diplomata indo à Espanha, Inglaterra e França. Era muito culto, instruído.
Também pintava cenas religiosas e retratos. Seu atelier contava com dezenas de artistas, tais como Brueghel e Van Dyck. Ficou famoso em toda a Europa, morreu rico e bem sucedido. Aqui retrata uma mãe com seus filhos, numa cena bastante iluminada e cheia de cores. Um dos filhos tem seu olhar dirigido à mãe, enquanto as meninas olham em nossa direção. O bebê está inquieto, mas a mãe tem uma postura passiva e distante. Na coluna à direita vemos a representação de uma figura meio humana, meio zoomórfica. Símbolo, talvez...mas do que?

AS MENINAS
DIEGO RODRIGUES DE SILVA VELÁSQUEZ
– 1599/1660
Espanhol, deixou cerca de 100 obras. Casou-se com a filha de seu mestre, tendo sido o pintor da corte espanhola, na ocasião da visita de Rubens a este país. A conselho deste visitou a Itália. “As Meninas” é considerado sua obra prima. Há uma pequena reflexão sobre esta obra na série “janelas”, já postada aqui neste blog. Apenas observemos o olhar da menina-princesa, no centro do quadro: autoconfiança, esperteza, plena consciência de seu papel. Já fomos algum dia assim?

JOÃO BATISTA
FRANÇOIS BOUCHER
– 1703/1770
Pintor francês do período Rococó. Seus temas variavam entre mitológicos, imagens pastoris, retratos. Viajou para a Itália onde teve contato com o classicismo. Seus quadros são cheios de teatralidade, sensualidade e requinte. Foi membro da Academia Real da França. Ocupou o cargo de “Primeiro pintor da corte de Luis XVI. A alegoria desse trabalho de Boucher mostra bem o que foi o estilo Rococó. Há aí uma “festa infantil”, tendo João Batista e Jesus menino como foliões principais, em meio aos anjos. Suavidade, delicadeza.

GILBERT CHARLES STUART- 1755/1828
Norte Americano, teve um professor escocês, com quem vai para a Escócia terminar seus estudos. Voltou aos EE.UU., onde foi retratista; mas com a Revolução Americana desiste de ficar em sua pátria e vai para Londres, onde chegou a expor na Royal Academy.
Voltando aos EE. UU. retratou grandes figuras, tais como George Washington. Tinha uma vida financeira confusa, apesar de ter bons rendimentos, o que quase o levou à prisão por dívidas. Deixou cerca de 1.000 retratos. Nesse retrato de família, as crianças estão felizes, bem cuidadas e bem vestidas, faces rosadas, sorridentes. Tudo está bem... Até o cão. Cena montada, como em teatro.

SIR THOMAS LAWRENCE – 1769/1830
Inglês, retratista, fez quadros para a família real inglesa. Foi reconhecido por seu talento, viajou por todo o continente europeu, tendo recebido condecorações de várias casas reais. A beleza e a pureza desta obra nos toca, emociona. O olhar da menina é puro brilho, há uma suavidade, alegria e doçura ímpar neste quadro. Harmoniosa e iluminada, essa pintura encomendada por uma família, mostra bem o talento deste homem. Onde anda o brilho que deveria haver em nossos olhos?

MÃE E FILHA
ALBERT ANKER
– 1831/1910
Pintor e ilustrador suíço. Estudou Teologia, mas optou pela Arte. Mudou-se para Paris onde estudou na Escola de Belas Artes. Viajou pela Itália e foi um grande retratista de crianças.

A FERROVIA
EDOUARD MANET
– 1832/1883
Francês de família burguesa, cresceu com os privilégios desta classe social. Mas escolheu tornar-se artista. Aos 17 anos de idade embarca num navio mercante à trabalho e chega ao Brasil. Retorna alguns meses depois impressionado com o que viu. Foi um dos mais marcantes pintores de sua época, amigo dos impressionistas. Manet dá vida através da luz, movimento através das formas de seu desenho, “escreve um texto a pincel”.
Sua grande batalha foi ser aceito nos salões de exposições, apresentando obras que não respeitavam as regras acadêmicas. Foi o precursor da arte moderna.


CRIANÇAS
DEGAS
– 1834/1917
Gravurista, pintor e escultor francês. Veio de uma família da alta burguesia. Estudou na Escola de Belas Artes de Paris. Viajou à Itália para estudar os renascentistas. Era amigo de Manet e tinha Ingres como seu ídolo. Esteve por cinco meses nos EE.UU.(New Orleans). Gostava de desenhar cavalos, bailarinas, retratos de famílias. Degas brinca com seus retratados, usa o exagero, o insólito, ao mesmo tempo em que é capaz de enorme poesia. Aqui, num jogo de luz e sombra, paira no ar certo mistério, provocação do artista.

MENINO DE COLETE VERMELHO
PAUL CÉZANNE
– 1839/1906
Natural do sul da França, considerado pelos cubistas como: “o pai de todos”. Foi influenciado por Delacroix. Via na natureza formas geométricas como o cone, o círculo, a esfera. Pintava temas variados, sobretudo naturezas mortas e paisagens. Era amigo do escritor Zola e de Pissaro. Por causa de sua escolha pela arte, rompeu com o pai e foi viver uns tempos em Paris. Era dado à depressão. Teve um filho com Hortense, seu amor parisiense, chamado Paul, mas só o reconheceu após a morte do pai. Manteve mulher e filho em segredo para sua família por muito tempo. Neste menino, o artista abusa de seu talento, exagera nas cores, destaca o olhar da criança, e mostra bem seu estilo, sua ousadia.

MENINA AZUL
AUGUSTE RENOIR
– 1841/1919
Nascido em Limoges, França, pintou porcelanas na conhecida fábrica desta cidade. De família modesta, era amigo de Sisley, Monet, e Bazille, com quem pintava ao ar livre. Mudou-se para Paris, onde estudou na Escola de Belas Artes. Tinha como objetivo fazer uma arte agradável aos olhos. Viajou pela África e Itália em estudos. Casou-se com Lise Tréhot, sua modelo, com quem teve seus filhos. Entre eles, Jean Renoir que se tornou famoso cineasta. Renoir teve artrite no fim de sua vida e pintava com os pincéis amarrados ao pulso. Toda a sua obra é doce, suave, não agride, e passa certa inocência ou ingenuidade, talvez.

BALANÇO
BERTHE MORISOT
– 1841/1895
Francesa, neta de Fragonard, o grande pintor do período Rococó.
Sua mãe colocou-a e à sua irmã para estudar pintura. Berthe gostava de pintar cenas domésticas com crianças e mulheres em atividades variadas. Era amiga de Manet, junto a quem pintava e casou-se com seu irmão, Eugene. Viajou por vários lugares da Europa a estudos. Sua casa em Paris era local de reunião de artistas, escritores, poetas. Sua pintura é enormemente feminina, doce, suave. Berthe Morisot teve força bastante para entrar para a história da arte em um mundo que excluía as mulheres.

CRIANÇAS
MARY CASSAT
– 1844/1926
Americana de família influente, viveu em Paris e ao retornar aos EE.UU. Muito influenciou seus conterrâneos em relação à aquisição de obras dos impressionistas. Fica cega por diabetes a partir de 1915. Solteira e sem filhos, pinta, no entanto, muitas cenas domésticas. Foi uma mulher forte, apaixonada pela arte e fez dela sua vida. Sua obra é repleta do “feminino”.

DEPOIS DO BANHO
PAUL PEEL
– 1860/1892
Natural do Canadá, era filho de um professor de desenho e escultor. Estudou nos EE.UU. e França. Morando em Paris, fazia muitos estudos, desenhos e pinturas de crianças. Foi exímio no uso da cor e luz. Casado com uma pintora, teve um casal de filhos que lhe serviam de modelos. Acadêmico com fortes propensões impressionistas, teve seus trabalhos exibidos e reconhecidamente premiados. É o mais conhecido pintor canadense na Europa. Mostra senso de humor, leveza e alegria, em suas cenas domésticas.

MENINA DA SOMBRINHA
ESTHER ANNA HUNT
– 1875/1951
Americana, focou seu trabalho em temas orientais inspirada em imagens da Chinatown de San Francisco, onde morou. Financiou seus estudos vendendo suas pinturas. Estudou também na Europa e em Nova York. Sua escolha por temas orientais na América da época em que viveu, indica sua força de caráter, seu sentimento de liberdade e segurança em suas próprias opiniões.

MATERNIDADE
ELISEU VISCONTI
– 1866/1944
Nascido na Itália, vem muito jovem para o Brasil. Aqui estuda e recebe bolsa para completar sua formação na França. Tem aulas acadêmicas, mas opta por seguir o estilo impressionista. Casa-se com a francesa Louise, também pintora, com quem vive até o final de sua vida. Tiveram 3 filhos. Sua obra abrange todos os tipos de temas, e é impregnada de sentimento e romance. Foi responsável pela decoração de partes do Teatro Municipal do R. de Janeiro.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Frases e Pensamentos


MARY CASSAT - IMPRESSIONISTA NORTE-AMERICANA -

ESTAS FRASES TÊM ORIGENS DIVERSAS;DESCONHEÇO A AUTORIA.



Se você nunca se arrisca, você corre um risco muito maior.

-Você não pode testar sua coragem se só coisas boas acontecem com você.

-Na verdadeira amizade não é preciso ficar dando explicações.

-Ilumine o seu amanhã com o dia de hoje.

-Quando jovens, aprendemos; com a idade, compreendemos.

-Idade é algo que não interessa, a menos que você seja um queijo.

-Mulheres sábias não caminham; dão saltos!

-Se você percebe que sente um mínimo prazer que seja, ao criticar alguém, então é hora de segurar a língua.

-Em vez de ficar tentando ser feliz, divirta-se!

-Não saber o que acontecerá conosco no futuro, é o que faz possível a nossa vida do dia a dia.

-Somos as heroínas das histórias de nossas vidas, nelas temos o papel principal.

-Quando não dividimos com amigas nossos problemas, não damos às amigas a chance de demonstrarem quem são.

-Amadurecer pode ser difícil, mas fruta madura tem um gosto muito melhor.

domingo, 29 de maio de 2011

Frases e Pensamentos




OBRAS DA ARTISTA UBERABENSE MARIA DÉLIA PRATA

PARA REFLETIR

UM HOMEM É BOM QUANDO FAZ MELHORES OS OUTROS.
[PROVÉRBIO RUSSO]


NUNCA ESQUEÇAS OS BENEFÍCIOS QUE RECEBESTES, MAS ESQUEÇAS RAPIDAMENTE OS QUE FIZESTES.
[ PÚBLIO SIRO]


CADA INSTANTE QUE PASSA É UMA GOTA DE VIDA QUE NUNCA MAIS TORNA A CAIR.
[ ANSELMO FRACASSO]

SENHOR, DÁ-NOS SEMPRE ALGUÉM PARA DAR ALGUMA COISA.
[ PRECE HINDU ]

SÓ QUEM JÁ SE MODIFICOU PODE MODIFICAR OS OUTROS.
[ KIERKEGAARD ]

UM GOLPE COM A LÍNGUA PODE ATÉ QUEBRAR OS OSSOS.
[ PROVÉRBIO CHINÊS ]

QUEM SABE ADULAR TAMBÉM É CAPAZ DE CALUNIAR.
[ NAPOLEÃO ]

O EXERCÍCIO DO SILÊNCIO É TÃO IMPORTANTE QUANTO A PRÁTICA DA PALAVRA.
[ WILLIAM JAMES ]

FALEMOS SEMPRE DE QUALQUER PESSOA COMO SE ELA ESTIVESSE PRESENTE.
[ CHIARA LUBICH ]

QUEM NÃO QUER BEM A SI MESMO NÃO HÁ DE QUERER BEM AOS OUTROS.
[ A. KNER ]

NÃO SABEM O QUE PERDEM OS QUE NÃO SABEM ESCUTAR O SILÊNCIO.
[ MAURICE ZUNDEL ]

sábado, 28 de maio de 2011

Frases e Pensamentos


MIRA SCHENDEL - OBRA BRASILEIRA-

PARA REFLETIR

“COM O CORAÇÃO CORRETO, O SER HUMANO É CULTIVADO;
QUANDO O SER É CULTIVADO, A FAMÍLIA É HARMONIZADA;
COM A FAMÍLIA HARMONIZADA, A NAÇÃO É ORDENADA;
COM A NAÇÃO ORDENADA, HÁ PAZ SOB O CÉU”.
(CONFÚCIO)

“DARIA TUDO QUE SEI EM TROCA
DA METADE DO QUE IGNORO”
(DESCARTES)

“QUANDO SE VIVE COMO SE PENSA,
ACABA-SE PENSANDO EM COMO SE VIVE”
(GABRIEL MARCEL)

“QUANDO CONHECER UM HOMEM BOM,TRATE DE IMITÁ-LO;
QUANDO CONHECER UM HOMEM MAU, FAÇA UMA ANÁLISE”.
(CONFÚCIO)

“AO VER UM GIGANTE, VERIFIQUE ANTES A POSIÇÃO DO SOL;
PODE SER QUE SEJA A SOMBRA DE UM PIGMEU.”
(VON HARDENBERG)

“QUANTO MENOR O CORAÇÃO,
MAIS ÓDIO ELE PODE ABRIGAR.”
(VICTOR HUGO)

“COM O PUNHO CERRADO,
NÃO SE PODE TROCAR UM
APERTO DE MÃO”.
(INDIRA GHANDHI)

“AS GRANDES ALMAS TÊM VONTADES;
AS MAIS FRACAS, SOMENTE DESEJOS”.
(PROVÉBIO CHINÊS)

“A VERDADEIRA SABEDORIA CONSISTE EM
SE CONHECER A PRÓPRIA IGNORÂNCIA.”
(SÓCRATES)


“QUEM NÃO ENTENDE UM OLHAR,
MUITO MENOS ENTENDE UMA
LONGA EXPLICAÇÃO.”
(PROVÉRBIO ÁRABE)

“É MELHOR CUMPRIR O SEU DEVER,
POR MAIS IMPERFEITO QUE SEJA,
DO QUE O DEVER DO OUTRO,
POR MELHOR QUE POSSA CUMPRI-LO”.
(BHAGAVAD GITA)

“AS LÁGRIMAS SÃO UM RIO QUE NOS LEVA A ALGUM LUGAR.
O CHORO FORMA UM RIO EM VOLTA DO BARCO QUE CARREGA A VIDA DA ALMA. AS LÁGRIMAS ERGUEM SEU BARCO DAS PEDRAS, SOLTAM-NO DO CHÃO SECO, CARREGAM-NO PARA UM LUGAR NOVO, UM LUGAR MELHOR.”
(CLARISSA PINKOLA ESTÉS)

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Frases e pensamentos


ANITA MALFATTI - PÉ DE JABOTICABA -

João de Guimarães Rosa.
- Nasceu em Cordisburgo, MG, em 1908. Morreu no Rio de Janeiro, em 1967. Médico, poliglota, diplomata, escritor. Entre seus vários livros, destacamos: Sagarana, Grande Sertão: Veredas, Corpo de Baile.

FRAGMENTOS-
“Eu quase que nada sei. Mas desconfio de muita coisa.”
“Só quando se tem rio fundo, ou cava de buraco, é que a gente por riba põe ponte”.
“Um bom entendedor, num bando, faz muita necessidade.”
“Sorte é isto. Merecer e ter...”
“O rio não quer ir a nenhuma parte, ele quer é chegar a ser mais grosso, mais fundo.”
“Posso me esconder de mim?...”
“O correr da vida embrulha tudo, a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem.”
“Vivendo, se aprende; mas o que se aprende, mais, é só a fazer outras maiores perguntas.”
“Viver é negócio muito perigoso...”
“A colheita é comum, mas o capinar é sozinho...”
“Despedir dá febre.”
“Amanheci minha aurora”.
“Ser forte é parar quieto, permanecer.”
“O senhor sabe o que o silêncio é? É a gente mesmo, demais.”
“O mundo, meus filhos, é longe daqui!”.
“Deus existe mesmo quando não há”.
“... Eu não sentia nada. Só uma transformação, pesável. Muita coisa importante falta nome.”
“Coração mistura amores. Tudo cabe.”
“A gente tem que sair do sertão! Mas só se sai do sertão é tomando conta dele a dentro.”
“O sertão é dentro da gente”.
“Mas a paz não é boa? Então, como é que ela enjoa, assim mesmo? – natureza da gente, mal completada...”
“Esta vida está cheia de ocultos caminhos. Se o senhor souber, sabe; não sabendo, não me entenderá.”
“Viver é um descuido prosseguido.”
“Aquele dia era uma véspera.”
“Contar seguido, alinhavado, só mesmo sendo as coisas de rasa importância.”
“Quem sabe direito o que uma pessoa é? Antes sendo: julgamento é sempre defeituoso, porque o que a gente julga é o passado”.
“O que demasia na gente é a força feia do sofrimento, própria, não é a qualidade do sofrente”.
“O mal ou o bem, estão é em quem faz; não é no efeito que dão. O senhor ouvindo seguinte, me entende.”
“...gostar exato das pessoas, a gente só gosta, mesmo, puro, é sem se conhecer demais socialmente...”
“Enfim, cada um o que quer aprova, o senhor sabe: pão ou pães, é questão de opiniães...”
“Eu estou depois das tempestades.”
“Perto de muita água, tudo é feliz.”
“Tinha medo não. Tinha era cansaço de esperança.”
“O senhor...Mire veja: o mais importante e bonito, do mundo, é isso: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas – mas que elas vão sempre mudando. Afinam ou desafinam. Verdade maior. É o que a vida me ensinou. Isso que me alegra, montão.”
“O mais difícil não é um ser bom e proceder honesto; dificultoso, mesmo, é um saber definido o que quer, e ter o poder de ir até no rabo da palavra”.
“Toda saudade é uma espécie de velhice.”
“Felicidade se acha é em horinhas de descuido”.

quinta-feira, 26 de maio de 2011


BOTTICCELLI - NASCIMENTO DE VÊNUS -

O QUE SÃO ARQUÉTIPOS
ARTIGO RETIRADO DO SITE “ARAS” –
(ARCHIVE FOR RESEARCH IN ARCHETYPICAL SYMBOLISM)
TRADUÇÃO ADAPTADA
ELIANA MIRANZI


A PALAVRA “ARQUÉTIPO” DESAFIA UMA DEFINIÇÃO SIMPLES. ELA DERIVA DE UM COMPOSTO GREGO DE “ARCHE” E “TUPOS”. “ARCHE” OU O PRINCIPIO PRIMORDIAL APONTA PARA A FONTE CRIADORA, QUE NÃO PODE SER REPRESENTADA OU VISTA DIRETAMENTE. “TUPOS” OU “IMPRESSÃO”, REFERE-SE A QUALQUER UMA DAS NUMEROSAS MANIFESTAÇÕES DO “PRINCIPIO PRIMORDIAL”. (JOSEPH HENDERSON, DO ARAS, VOL.1,SIMBOLISMO ARQUETÍPICO, PG. VIII).
O PRÓPRIO JUNG FALOU DA IMPOSSIBILIDADE DE DEFINIR O “ARQUÉTIPO” COM SEUS SIGNIFICADOS MÚLTIPLOS. (CW. 16:497), E PENSOU DE VÁRIOS MODOS A CERCA DE ARQUÉTIPOS DURANTE TODA A SUA VIDA PROFISSIONAL.
COMO O PROCESSO DE USAR ESTE SITE ONLINE É UTIL PARA OBSERVAR OS DIVERSOS SIGNIFICADOS DE UM SÍMBOLO, TALVEZ FOSSE ÚTIL TAMBÉM OBSERVAR OS ARQUÉTIPOS OLHANDO ALGUMAS DAS MANEIRAS QUE JUNG USOU PARA DESCREVÊ-LOS EM SEU “COLLECTED WORKS”.
MODOS DE DAR NOME AO ARQUÉTIPO
OS CONTEÚDOS DO INCONSCIENTE COLETIVO SÃO CONHECIDOS COMO ARQUÉTIPOS. (CW.9 (1):4).
...ESTAMOS LIDANDO COM O ARCAICO OU... EU DIRIA – TIPOS PRIMORDIAIS, ISTO É, IMAGENS UNIVERSAIS QUE EXISTEM DESDE OS TEMPOS MAIS REMOTOS. (CW9(1):5).
...OS ARQUÉTIPOS PROVAVELMENTE REPRESENTAM SITUAÇÕES TÍPICAS DA VIDA. (CW8:255).
...QUALIDADES QUE NÃO SÃO ADQUIRIDAS INDIVIDUALMENTE, MAS HERDADAS, FORMAS INATAS DE “INTUIÇÃO”, PRINCIPALMENTE OS ARQUÉTIPOS DA PERCEPÇÃO E APREENSÃO, OS QUAIS SÃO OS DETERMINANTES NECESSÁRIOS A PRIORI DE TODOS OS PROCESSOS PSÍQUICOS. (CW.8:270).
A MIM PARECE QUE SUA ORIGEM PODE SER EXPLICADA APENAS QUANDO SE CONCLUI QUE ELES SÃO DEPÓSITOS DE EXPERIÊNCIAS DA HUMANIDADE, CONSTANTEMENTE REPETIDAS. (CW.7:109).
COMO UM ARQUÉTIPO SE EXPRESSA
O TERMO ARQUÉTIPO É FREQUENTEMENTE MAL ENTENDIDO, COMO SIGNIFICANDO UMA CERTA IMAGEM MITOLÓGICA DEFINIDA OU UM MOTIVO (DESENHO, TEMA, PADRÃO)...AO CONTRÁRIO, É UMA TENDÊNCIA INATA DA MENTE HUMANA DE FORMAR REPRESENTAÇÕES DE MOTIVOS PSICOLÓGICOS – REPRESENTAÇÕES QUE VARIAM MUITO SEM PERDER SEU PADRÃO BÁSICO. ESTA TENDÊNCIA HERDADA É INSTINTIVA, COMO O IMPULSO ESPECÍFICO DE CONSTRUIR NINHOS, MIGRAR, ETC, DOS PÁSSAROS.
ENCONTRAM-SE REPRESENTAÇÕES COLETIVAS PRATICAMENTE EM TODOS OS LUGARES, CARACTERIZADAS PELOS MESMOS MOTIVOS OU SIMILARES. NÃO PODEM SER DESIGNADOS COMO SENDO DE UM TEMPO ESPECÍFICO, REGIÃO OU RAÇA. SÃO DE ORIGEM DESCONHECIDA E PODEM SE REPROUZIR MESMO ONDE A TRANSMISSÃO, ATRAVÉS DE MIGRAÇÕES, TENTAR COIBÍ-LAS. (CW.18:523).
...ALÉM DO INTELECTO HÁ UM PENSAMENTO NAS IMAGENS PRIMORDIAIS, SÍMBOLOS QUE SÃO MAIS VELHOS QUE O HOMEM PRÉ-HISTÓRICO, QUE SÃO INTRÍNSECOS NELE DESDE TEMPOS IMEMORIAIS E ETERNAMENTE VIVOS SUPERANDO TODAS AS GERAÇÕES, E SÃO AINDA A SUSTENTAÇÃO DA PSIQUE HUMANA.(CW.8:794).
...COMO OS PRODUTOS DA IMAGINAÇÃO SÃO SEMPRE VISUAIS EM ESSÊNCIA, SUAS FORMAS NECESSITAM, DESDE O INÍCIO TER O CARÁTER DE IMAGEM E, ALÉM DO MAIS, DE IMAGENS TÍPICAS, E ESTA É A RAZÃO PELA QUAL EU AS CHAMO “ARQUÉTIPOS”(CW.11:845).
...CONHECIMENTOS E HISTÓRIAS TRADICIONAIS TRIBAIS REFEREM-SE A ARQUÉTIPOS QUE FORAM MODIFICADOS DE MANEIRA ESPACIAL. OUTRAS EXPRESSÕES BASTANTE CONHECIDAS DOS ARQUÉTIPOS SÃO OS MITOS, ASSIM COMO OS CONTOS DE FADAS.(CW9(1):5,6).
O ARQUÉTIPO É ESSENCIALMENTE UM CONTEÚDO INCONSCIENTE QUE É ALTERADO TORNANDO-SE CONSCIENTE E PERCEBIDO, E TOMA SUAS CORES DA CONSCIÊNCIA DO INDIVÍDUO ONDE ELE APARECE. (CW(9):6).
A LIGAÇÃO DOS ARQUÉTIPOS COM A VIDA ANCESTRAL
O INCONSCIENTE COLETIVO TRAZ EM SI A VIDA PSÍQUICA DE NOSSOS ANCESTRAIS DESDE O INÍCIO DOS TEMPOS. É A MATRIZ DE TODAS AS OCORRÊNCIAS PSÍQUICAS CONSCIENTES (CW8:230)
UM ARQUÉTIPO É COMO UM VELHO CURSO D’ÁGUA AO LONGO DO QUAL A ÁGUA DA VIDA FLUIU POR SÉCULOS CAVANDO UM PROFUNDO CANAL POR SÍ MESMO.(CW10:395).
...POIS OS CONTEÚDOS DO INCONSCIENTE COLETIVO NÃO SÃO APENAS RESÍDUOS DO ARCAICO, MODOS ESPECIFICAMENTE HUMANOS DE FUNCIONAMENTO, MAS TAMBÉM OS RESÍDUOS DE FUNÇÕES DE NOSSA ANCESTRALIDADE ANIMAL, CUJA DURAÇÃO NO TEMPO FOI INFINITAMENTE MAIOR DO QUE A RELATIVAMENTE BREVE ÉPOCA DA EXISTÊNCIA ESPECIFICAMENTE HUMANA. (CW7:159)
O VALOR DO ARQUÉTIPO
SÓMENTE É POSSÍVEL VIVER A VIDA EM PLENITUDE QUANDO ESTAMOS EM HARMONIA COM ESTES SÍMBOLOS; A SABEDORIA É UM RETORNO A ELES. (CW8:794).
PARA OS ALQUIMISTAS, OS ARQUÉTIPOS ERAM SEMENTES DE LUZ TRANSMITIDA NO CAOS... A CARTOGRAFIA DA SEMENTE DE UM MUNDO A VIR.
TEM-SE QUE CONCLUIR A PARTIR DESTAS VISÕES ALQUÍMICAS ARQUETÍPICAS TEM EM VOLTA DELES UMA CERTA LUZ FORTE OU QUASE CONSCIENCIA E ESTA NUMINOSIDADE ACARRETA LUMINOSIDADE(CW8:388).
TODAS AS IDÉIAS MAIS PODEROSAS NA HISTÓRIA SE VOLTAM AOS ARQUÉTIPOS. ISTO É ESPECIALMENTE VERDADEIRO EM RELAÇÃO ÀS IDÉIAS RELIGIOSAS, MAS OS CONCEITOS CENTRAIS DE CIÊNCIAS, FILOSOFIA E ÉTICA NÃO SÃO EXCEÇÕES A ESTA REGRA. EM SUA FORMA PRESENTE SÃO VARIANTES DAS IDÉIAS ARQUETÍPICAS CRIADAS AO APLICAR CONSCIENTEMENTE E ADAPTAR ESTES IDEAIS À REALIDADE.
POIS É DA CONSCIÊNCIA NÃO APENAS RECONHECER E ASSIMILAR O MUNDO EXTERNO ATRAVÉS DA PORTA DE ENTRADA DOS SENTIDOS, MAS TAMBÉM TRADUZIR EM REALIDADE VISÍVEL O MUNDO DENTRO DE NÓS.(CW8,342).

quarta-feira, 25 de maio de 2011


OBRA DE EMIL NOLDE- EXPRESSIONISMO ALEMÃO -



OUTONO EM ARGENTEUIL -CLAUDE MONET-IMPRESSIONISMO FRANCÊS -


Chanson d’automne
Paul Verlaine



Les sanglots longs
Des violons de l’automne
Blessent mon coeur
D’une langueur
Monotone.

Tout suffocant
Et blême, quand
Sonne l’heure,
Je me souviens
Des jours anciens
Et je pleure;

Et je m’en vais
Au vent mauvais
Qui m’emporte
Deçà, delà,
Pareil à la
Feuille morte


Canção do Outono
Tradução
(livre)
Eliana Miranzi

Os lamentos longos
Dos violinos no outono
Enchem meu coração
De um langor
Monótono.

E ofegante, sem vida
Quando soam as horas,
Eu me lembro dos
Dias de outrora
E choro.

E me vou
Ao sabor do vento
Que me importa
De cá, de lá,
Pareço uma folha morta.

terça-feira, 24 de maio de 2011


OBRA DE EMYGDIO-PACIENTE DA DRA.NISE DA SILVEIRA -
POSTADO POR SANTUSA CARVALHO

TODO PRECONCEITO É IRRACIONAL
Buscando o Sentido da Vida

Delze dos Santos Laureano

"Não se deve nunca esgotar de tal modo um assunto, que não se deixe ao leitor

Nada a fazer. Não se trata de fazer ler, mas de fazer pensar." (Montesquieu)



Acredito que todos nós em algum momento da vida sofremos a tentação de nos perguntar qual é o sentido mesmo da vida. Meu pai, brincando, dizia que nós viemos aqui para buscar um terno de roupa. Nascemos nus e vamos embora com a roupa do corpo. Tendo a acreditar, todavia, que vamos levar mais do que o terno de roupa. Cada experiência fica fortemente marcada no nosso corpo e no nosso espírito. Não precisamos ser especialistas para perceber na nossa pele, especialmente na face, as rugas do sorriso, as expressões de raiva, ou os sinais das angústias acumuladas. Somos como as árvores, os nós denunciam tanto a idade quanto o rigor das intempéries e a nossa capacidade de lidar com tudo isso.

A cada dia aprendemos um pouquinho. O computador do corpo registra sem piedade aquilo que somos. Percebo que com o passar do tempo, olhando esses registros aprendemos a deixar de lado os preconceitos para aceitar o que de fato dá sentido à vida. Confesso que até poucos dias atrás achava a cirurgia plástica coisa supérflua, banal. Ficamos assustados com o exagero das cirurgias estéticas no Brasil. Mudei. Comecei a pensar com mais profundidade acerca do tema após ler o livro "Aprendiz do Tempo", o livro de memórias, de Ivo Pitanguy, cirurgião que trata as pessoas independentemente da condição econômica delas. Conviver com todas as pessoas é o maior legado que afirma ter recebido dos pais e que deixará para os seus filhos.

Para começar, não posso desconsiderar o fato de que vivemos em uma sociedade capitalista. Seria mesmo impossível à cirurgia plástica não sofrer as influências da sociedade de consumo. Não é diferente com as religiões, com a família ou com os sentimentos. Quase tudo está à venda. A promessa é a felicidade imediata, desde que se tenha dinheiro para comprar os produtos no mercado. A família pode ser mais feliz, pode-se estar mais perto de Deus, ou podemos viver em um verdadeiro paraíso aqui na terra, longe de tudo o que nos traz infelicidade: violência urbana, poluição, estresse, depressão, gente diferente. Basta comprar, por exemplo, um determinado imóvel.

Mas volto ao livro. "Aprendiz do Tempo" é uma narrativa bastante interessante. Conta a história de uma vida longa, marcada por desafios, alegrias, muito sucesso, mas, sobretudo, uma capacidade imensa de sentir a dor do outro. Também a humildade de aprender em todos os momentos. Um capítulo especialmente me faz pensar dessa forma, "O incêndio do Circo", no qual o escritor fala da tragédia ocorrida no Grã Circo Norte-Americano, em 17 de dezembro de 1961, na cidade de Niterói, Rio de Janeiro. Ele era ainda um jovem cirurgião, mas já conhecia o valor da cirurgia reparadora tendo estudado em Cincinnati, nos Estados Unidos, no Hospital Bethesda.

Começando o capítulo, Ivo Pitanguy faz uma auto-análise: "Jamais me lamento. Não me encolerizo. Não choro mais. Se chego a rir, é frequentemente de mim mesmo." Nessas palavras vejo que as experiências marcaram profundamente esse cirurgião de incontestáveis virtudes e de vida tão repleta de realizações. Confessa ter presenciado naquele incêndio coisas que superam os mais terríveis pesadelos. Uma multidão de 2.500 pessoas, na sua maioria crianças, sucumbiu ao fogo e à falta de atendimento adequado em vista das gigantescas proporções do desastre. O saldo foi mais de 500 pessoas mortas e outras tantas vítimas irremediavelmente desfiguradas. Tragédia de dimensão inimaginável, o incêndio do circo parece ter ficado esquecido na nossa história. Confesso que nunca tinha sabido desse fato antes.

Naquele ambiente de absoluto tumulto, conta Pitanguy ter conseguido organizar um coletivo de médicos, enfermeiros e diversos voluntários que se dispunham a trabalhar, improvisando o que era necessário. Era preciso controlar a multidão. Era preciso por ordem no caos. Um hospital, cujos funcionários estavam em greve, foi reaberto para fazer funcionar um sistema de atendimento a todos os queimados. Entretanto, na memória do médico, permaneceu como um marco a história de um menino de 11 anos, surgido da espessa fumaça que formava uma muralha em torno das chamas. Gravemente queimado, parecia indiferente aos sofrimentos, com roupas em farrapos olhava para todos os lados procurando alguém. Uma enfermeira pergunta quem ele está procurando e ele responde: "Meu amigo." Os lábios tremem, mas com olhar alucinado arremete-se novamente na direção do fogo e sem ouvir as ordens em contrário some no meio da fumaça para buscar o companheiro. Todos ficam petrificados, certos de que será impossível escapar novamente daquele inferno.

De repente, conta Pitanguy, um elefante surge do meio do incêndio arrastando panos incandescentes do circo e abre uma passagem entre as chamas. Novamente é possível ver o menino. Uma enfermeira corre então em seu socorro. Ele caminha penosamente, já no fim de suas forças, mas carrega quase desmaiado o amigo. Afirma o médico que a intrepidez e a abnegação do menino marcaram-no para sempre, pois arriscar a vida pelo outro é o mais nobre ato de um ser humano. Não há maior prova de amor que doar a vida pelo outro, ensinou há mais de 2 mil anos o mestre galileu. Naquele momento, fez o juramento de salvá-lo.

O menino, chamado Pablo, estava moribundo, as chances de salvá-lo eram praticamente inexistentes, mas durante mais de seis meses a equipe revezava em sua cabeceira, prodigalizando os cuidados que eram possíveis. Dos Estados Unidos vieram cerca de trinta mil centímetros cúbicos de pele liofilizada, doadas pelo Hospital Bethesda, reserva destinada aos feridos da marinha dos Estados Unidos. Para alimentá-lo eram necessários produtos dietéticos destinados a substituir os sais minerais que o organismo perdera. A pele liofilizada só pode ser utilizada após os enxertos homólogos devido à destruição do derma. Apesar de todos os cuidados, restava uma pergunta: Pablo sobreviverá?

Arremata o médico que terra de crendices, de superstições e de fé, o Brasil é sensível aos signos e aos presságios. Certa manhã, uma religiosa foi ao seu encontro com seus passos miúdos, mas toda exaltada, fazendo o anúncio: "Pablo vai sobreviver, doutor." Ao que ele pergunta: "De onde vem essa sua certeza, irmã?" E ela convida-o a segui-la para mostrar, após por o dedo sobre os lábios para pedir silêncio e muita cautela. "Olhe." Sobre o parapeito da janela como a contemplar o menino Pablo adormecido, uma pomba permanecia imóvel. A irmã anuncia: "Deus a enviou para anunciar a sua cura!" Ao que ele se pergunta: "Deus ou os nossos cuidados?" Deixa eu responder depressa: Deus nos cuidados de uma equipe dedicada e solidária. O certo é que o menino se cura e aquela experiência muda para sempre o olhar do doutor sobre tudo o que é possível compreender e fazer neste mundo.

Se eu estivesse escrevendo um texto bíblico arremataria assim: "Quem tem ouvidos para ouvir ouça!" Como não escrevo nesse gênero, limito-me a partilhar mais essa inquietação e olhar nas oportunidades que a vida nos oferece, seja nos fatos, seja nas leituras, para buscar por detrás da fumaça o que efetivamente dá sentido às nossas vidas e o que pode nos ajudar a vencer o risco do preconceito pelo preconceito. O nosso corpo, principalmente a nossa face, mostra a nossa caminhada na travessia da vida. Se para uns os sinais do tempo ajudam, para algumas pessoas marcas tornam impossível a alegria de viver. É preciso harmonizar as marcas com a alma. Acima de tudo descobrimos que nada podemos sozinhos, o trabalho coletivo é o mais humanizador. Às vezes são os elefantes os que mais contribuem em meio aos incêndios. Podem as crianças demonstram mais determinação, solidariedade e coragem que os adultos. Nos Estados Unidos também tem gente boa, e as pombas continuam, desde o episódio bíblico do dilúvio, anunciando que Deus está presente nas nossas vidas, ajudando-nos quando decidimos fazer o bem, apesar de todas as dificuldades. Todo preconceito tem o seu dia de se mostrar irracional!

Belo Horizonte, 22 de maio de 2011.

segunda-feira, 23 de maio de 2011


-ILUSTRAÇÃO ANTIGA- VERBENAS -

Le Vase Brisé
Sully Prudhomme

Le vase où meurt cette vervaine
D’un coup d’eventail fut fêlé;
Le coup dut l’effleurer à peine,
Aucun bruit ne l’a révélé

Mais la légère meurtrissure,
Mordant le cristal chaque jour,
D’une marche invisible et sûre
En a fait lentement le tour.

Son eau fraîche a fui goutte à goutte,
Le suc des fleurs s’est épuisé;
Personne encore ne s’en doute,
N’y touchez pas, il est brisé.

Souvent aussi la main qu’on aime
Effleurant le coeur, le meurtrit;
Puis le coeur se fend de lui-même,
La fleur de son amour périt.

Toujours intact aux yeux du monde,
Il sent croître et pleurer tout bas
Sa blessure fine et profonde:
Il est brisé, n’y touchez pas.


O Vaso Partido
Tradução de Guilherme de Almeida

O vaso azul destas verbenas,
Partiu-o um leque que o tocou:
Golpe sutil, roçou-o apenas,
Pois nem um ruído o revelou.

Mas a ferida persistente,
Mordendo-o sempre e sem sinal,
Fez, firme e imperceptivelmente,
A volta toda do cristal.

A água fugiu calada e fria,
A seiva toda se esgotou;
Ninguém de nada desconfia.
Não toquem, não, que se quebrou.

Assim, a mão de alguém, roçando
Num coração, enche-o de dor;
E ele se vai, calmo ,quebrando,
E morre a flor do seu amor.

Embora intacto aos olhos do mundo,
Sente, na sua solidão,
Crescer seu mal fino e profundo.
Já se quebrou, não toque não.

domingo, 22 de maio de 2011


"QUEBRADORES DE PEDRA"- COURBET - REALISMO FRANCÊS-

Nostalgia do trabalho
Thomaz Wood Jr. 26 de janeiro de 2011 às 9:00h
http://www.cartacapital.com.br/sociedade/nostalgia-do-trabalho
POSTADO POR THAÍS COLLUS(ALTERNATIVA CULTURAL)

Ao longo dos séculos, o trabalho passou por várias mutações. A Grécia
Antiga não o tinha em alta conta: seus luminares o consideravam um
inimigo da virtude, a brutalizar a mente dos homens e inutilizá-los
para as atividades mais nobres: a política e a filosofia. O
Renascimento recuperou o valor do trabalho e elegeu seu herói: o
mestre artesão, capaz de dele extrair sustento e arte.

No entanto, foi com a Revolução Industrial que o trabalho atingiu o
seu apogeu, sendo celebrado como motor da modernização e da
transformação do mundo. Hoje, a nossa sociedade tem outros deuses:
cultua mais o consumo do que a produção, valoriza mais a imagem do que
o fato, celebra mais o cargo do que o batente.
Significativamente, surgem aqui e acolá nostálgicos da velha ordem.
Notem, por exemplo, a proliferação de profissionais bem-sucedidos com
“hobbies sérios” ou “atividades paralelas”. Parece estar crescendo o
número de médicos pintores, financistas carpinteiros e engenheiros
moveleiros. Como se não bastassem as longas e estressantes jornadas de
trabalho, muitos profissionais mostram-se ávidos em localizar espaço
na agenda para desenvolver e exercitar suas competências manuais.
Sintomático!
O norte-americano Matthew B. Crawford seguiu os passos do sucesso
ditados pela nova sociedade da informação: obteve um Ph.D. na
Universidade de Chicago e conseguiu emprego em um think tank em
Washington, D.C. Entretanto, não demorou para se desiludir com a
manipulação de ideias e se frustrar com o restrito uso de seu
intelecto. Então, retornou algumas décadas na tecnologia e dois
séculos na organização do trabalho: foi montar uma oficina de reparos
de motocicletas antigas. No livro Shop Class as Soulcraft An Inquiry
Into the Value of Work (The Penguin Press, 2009), Crawford narra sua
saga e defende seus argumentos.

O autor parte da constatação de que uma mudança substantiva está em
curso: o que antes fazíamos, agora compramos pronto; o que antes
consertávamos, agora substituímos. Estamos, com isso, perdendo nossas
habilidades manuais e nos tornando mais passivos e dependentes. Pior:
estamos também perdendo alguns fatores intrínsecos de satisfação do
trabalho.

Para Crawford, o retorno ao artesanato, como mecânico de motocicletas,
devolveu-lhe o verdadeiro sentido do trabalho. Primeiro, porque o
resultado é claramente visível e reconhecido pelo cliente. Segundo,
porque o trabalho envolve operações cognitivas complexas que dependem
de conhecimento prático e experiência acumulada. Terceiro, porque sua
posição lhe confere um lugar na comunidade.

O autor argumenta que quem trabalha mais próximo dos fenômenos
naturais consegue estabelecer correlações e princípios mais coerentes,
enquanto quem lida permanentemente com abstrações e ignora a
matéria-prima da realidade tende a gerar dogmas com base em poucas
observações. Para o autor, o conserto de motocicletas envolve
raciocínio mais amplo e complexo do que o trabalho no think tank, o
contrário do que apontaria o senso comum.
Mas qual a raiz da desvalorização do trabalho artesanal? Segundo os
manuais de gestão, o ponto de inflexão deu-se pela consolidação da
linha de produção fordista e pela disseminação dos princípios de
administração científica, que ocorreram no início do século XX. Esses
fenômenos gêmeos aumentaram significativamente a produtividade,
reduziram custos de manufatura e criaram as bases para a sociedade de
produção e consumo em massa. Como efeito colateral, eles
marginalizaram o trabalho artesanal. A separação entre o planejamento
do trabalho (realizado por especialistas e gerentes) e a execução do
trabalho (realizado mecanicamente por operários) destruiu algumas
características que proviam satisfação intrínseca ao trabalho.

Esse movimento, que começou na indústria, avança agora firme no setor
de serviços. Os bancos, as seguradoras e os hospitais têm processos
que estão sendo cientificamente racionalizados, como se fossem linhas
de produção. A separação que ocorreu com o trabalho industrial está
agora ocorrendo com o trabalho no setor de serviços: enquanto os
gestores se atolam em reuniões, PowerPoints e ¬e-mails, o trabalho nos
porões das centrais de atendimento e nos centros de serviços sofre
forte padronização e rotinização.

Crawford é claro em sua valorização dos laços morais que ligam os
trabalhadores ao seu trabalho e os empreendedores aos seus
consumidores, laços que não deveriam ser tão prontamente sacrificados
no altar da eficiência e do crescimento. O esfacelamento desses laços
desencoraja a prudência e pode provocar efeitos nefastos. Não faltam
recalls de produtos ou crises financeiras para ilustrar o argumento.

Thomaz Wood Jr. escreve sobre gestão e o mundo da administração.
thomaz.wood@fgv.br
http://www.cartacapital.com.br/sociedade/nostalgia-do-trabalho

RENOIR - IMPRESSIONISMO- "MULHER LENDO" -

HISTÓRIA DA LITERATURA - FRASES - PENSAMENTOS-
CADA AUTOR CORRESPONDE A UM PERÍODO, UM ESTILO

Homero “Os homens são como ondas; quando uma geração floresce, a outra declina”
“Inconstante como a aura, é por natureza o pensamento dos jovens”.
Sêneca “A maldade bebe a maior parte do veneno que produz”.
“A avareza tira aos outros o que recusa a si própria.”
Dante Alighieri “Pois perder tempo desagrada mais a quem mais conhece o seu valor”.
“No inferno os lugares mais quentes são reservados àqueles que escolheram a neutralidade em tempo de crise”.
Shakespeare “Lamentar uma dor passada, no presente, é criar outra dor e sofrer novamente”.
“Nome? O que há em um nome? Aquilo a que chamamos rosa teria o mesmo perfume se tivesse outro nome”.
Cervantes “Tolo, e muito tolo é aquele que, ao revelar um segredo a outra pessoa, pede-lhe encarecidamente que não o conte a ninguém”.
“Ah! memória, inimiga imortal de meu repouso!”.
John Donne “Nenhum homem é uma ilha, isolado em si mesmo; todos são parte do continente”.
“A morte de cada homem diminui-me, porque eu faço parte da humanidade; eis porque nunca pergunto por quem dobram os sinos: eles dobram por mim.”
Voltaire “Devemos julgar um homem mais por suas perguntas que pelas respostas”.
“O trabalho espanta três males: o vício, a pobreza e o tédio”.
Rousseau “Se é a razão que faz o homem, é o sentimento que o conduz”.
“Sejamos bons e depois seremos felizes; ninguém recebe o prêmio sem primeiro fazer por isso”.
Camilo Castelo Branco “O mais eficaz remédio para um cérebro convulsionado é a solidão”.
“Sabedoria é o trabalho incessante do espírito sobre a ciência.”
Edgar Allan Poe “Os que sonham de dia são conscientes de muitas coisas que escapam aos que sonham só de noite”.
“A arte é um resumo da natureza feito pela imaginação”.
Leon Tolstoi “Cada um viveu tanto quanto amou”.
“Compreender tudo é tudo perdoar”.
Virginia Woolf “Depender de uma profissão é uma forma menos odiosa de escravidão do que depender de um pai”.
“Eu perdi amigos, alguns para a morte... outros pela incapacidade de atravessar a rua”.
Pablo Neruda “É tão difícil as pessoas razoáveis se tornarem poetas, quanto os poetas se tornarem pessoas razoáveis”.
Fernando Pessoa “Às vezes ouço passar o vento; e só ouvir o vento passar vale a pena ter nascido”.
“A liberdade é a possibilidade do isolamento. Se te é impossível viver só, nasceste escravo”.
Simone de Beauvoir “Não se nasce mulher; torna-se.”
“Todas as vitórias ocultam uma abdicação”.
Gabriel Garcia Marquez “Todo mundo quer viver em cima da montanha, sem saber que a verdadeira felicidade está na forma de subir a escarpa.

sexta-feira, 20 de maio de 2011


MATISSE - "CAVALO"-

O Livro sobre Nada
Manoel de Barros


• Com pedaços de mim eu monto um ser atônito.
• Tudo que não invento é falso.
• Há muitas maneiras sérias de não dizer nada, mas só a poesia é verdadeira.
• Não pode haver ausência de boca nas palavras: nenhuma fique desamparada do
ser que a revelou.
• É mais fácil fazer da tolice um regalo do que da sensatez.
• Sempre que desejo contar alguma coisa, não faço nada;
mas se não desejo contar nada, faço poesia. .
• Melhor jeito que achei para me conhecer foi fazendo o contrário.
• A inércia é o meu ato principal.
• Há histórias tão verdadeiras que às vezes parece que são inventadas.
• O artista é um erro da natureza. Beethoven foi um erro perfeito.
• A terapia literária consiste em desarrumar a linguagem a ponto que ela
expresse nossos mais fundos desejos.
• Quero a palavra que sirva na boca dos passarinhos.
• Por pudor sou impuro.
• Não preciso do fim para chegar.
• De tudo haveria de ficar para nós um sentimento longínquo de coisa esquecida
na terra — Como um lápis numa península.
• Do lugar onde estou já fui embora.

quinta-feira, 19 de maio de 2011


MATISSE - CARACOL - RECORTE/COLAGEM -

Diário de Bugrinha
(Excertos)
Manoel de Barros


22.1
O nome de um passarinho que vive no cisco é joão¬ninguém. Ele parece com Bernardo.
23.2
Lagartixas têm odor verde.
2.3
Formiga é um ser tão pequeno que não agüenta nem neblina. Bernardo me ensinou: Para infantilizar formigas é só pingar um pouquinho de água no coração delas. Achei fácil.
23.2
Quem ama exerce Deus — a mãe disse. Uma açucena me ama. Uma açucena exerce Deus?
2.3
Eu queria crescer pra passarinho...
5.3
A voz de meu avô arfa. Estava com um livro debaixo dos olhos. Vô! o livro está de cabeça pra baixo. Estou deslendo.
5.6
O frio se encolheu nos passarinhos. Ó noite congelada de jacintos! Eu estou transida de pétalas.
12.8
As garças descem nos brejos que nem brisas. Todas as manhãs.
10.9
Um sapo feneceu 3 borboletas de uma vez atrás de casa. Ele fazia uma estultícia?
1.1
O Bernardo fala com pedra, fala com nada, fala com árvore. As plantas querem o corpo dele para crescer por sobre. Passarinho já faz poleiro na sua cabeça.
2.2
A mãe disse que Bernardo é bocó. Uma pessoa sem pensa.
5.2
Sem chuvas, já reparei, as andorinhas perdem o poder de voar livres.
29.2
Hoje o Lara morreu picado de cobra. Fizeram seu caixão de costaneiras. Meu avô encostou no caixão. Ué, eu que morri e quem está no caixão é o Lara! Meu avô enxergava mal.
2.1.1926
Catre-Velho é um ser confortável para moscas. Ele nem espanta algumas.
12.1
Choveu de noite até encostar em mim. O rio deve estar mais gordo. Escutei um perfume de sol nas águas.
1.3
As árvores me começam.
1.4
Uma violeta me pensou. Me encostei no azul de sua tarde.
10.4
Os patos prolongam meu olhar... Quando passam levando a tarde para longe eu acompanho...
21.4
Pensar que a gente cessa é íngreme. Minha alegria ficou sem voz.
22.4
Hoje completei 10 anos. Fabriquei um brinquedo com palavras. Minha mãe gostou.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

ACREDITO


WASSILY KANDINSKY - GORGE IMPROVISATION -

ACREDITO
ELIANA R.C.MIRANZI


ACREDITO NO AMOR.
NUM SER SUPERIOR A TUDO QUE CONHECEMOS E IMAGINAMOS.
ACREDITO EM FAMÍLIA, AMIZADE E GENEROSIDADE.
ACREDITO QUE EXISTEM MUITAS PESSOAS VERDADEIRAMENTE BOAS NESTE MUNDO.
E QUE AS CRIANÇAS SÃO NOSSAS MAIORES MESTRAS.
ACREDITO NA FORÇA DO PENSAMENTO E DA PALAVRA, NA VONTADE E PERSITÊNCIA.
ACREDITO EM TUDO QUE IMAGINO, EM TUDO QUE SONHO.
E TAMBÉM QUE TEMOS UMA HISTÓRIA A CUMPRIR.
E QUE HÁ MUITAS COISAS REAIS QUE ESTÃO ALÉM DE NOSSA COMPREENSÃO.
ACREDITO EM LIVROS, FLORES, PÁSSAROS E BORBOLETAS.
E SOU DEVOTA DOS MISTÉRIOS E DE MINHAS FANTASIAS.
AINDA ACREDITO QUE PODEMOS FAZER UM MUNDO MELHOR,
E QUE HÁ REALMENTE PESSOAS BEM INTENCIONADAS E DE CORAÇÃO ABERTO.
ACREDITO E TENHO FÉ NA VIDA.
SOU DEVOTA DA PAZ.

terça-feira, 17 de maio de 2011


MARC CHAGALL

"ANIVERSÁRIO" - MARC CHAGALL

Soberania
Manoel de Barros


Naquele dia, no meio do jantar, eu contei que
tentara pegar na bunda do vento — mas o rabo
do vento escorregava muito e eu não consegui
pegar. Eu teria sete anos. A mãe fez um sorriso
carinhoso para mim e não disse nada. Meus irmãos
deram gaitadas me gozando. O pai ficou preocupado
e disse que eu tivera um vareio da imaginação.
Mas que esses vareios acabariam com os estudos.
E me mandou estudar em livros. Eu vim. E logo li
alguns tomos havidos na biblioteca do Colégio.
E dei de estudar pra frente. Aprendi a teoria
das idéias e da razão pura. Especulei filósofos
e até cheguei aos eruditos. Aos homens de grande
saber. Achei que os eruditos nas suas altas
abstrações se esqueciam das coisas simples da
terra. Foi aí que encontrei Einstein (ele mesmo
— o Alberto Einstein). Que me ensinou esta frase:
A imaginação é mais importante do que o saber.
Fiquei alcandorado! E fiz uma brincadeira. Botei
um pouco de inocência na erudição. Deu certo. Meu
olho começou a ver de novo as pobres coisas do
chão mijadas de orvalho. E vi as borboletas. E
meditei sobre as borboletas. Vi que elas dominam
o mais leve sem precisar de ter motor nenhum no
corpo. (Essa engenharia de Deus!) E vi que elas
podem pousar nas flores e nas pedras sem magoar as
próprias asas. E vi que o homem não tem soberania
nem pra ser um bentevi.

Texto extraído do livro (caixinha) "Memórias Inventadas - A Terceira Infância", Editora Planeta - São Paulo, 2008, tomo X, com iluminuras de Martha Barros.

domingo, 15 de maio de 2011


"NEWROAD" - GRANT WOOD- REGIONALISTA NORTE-AMERICANO -

ESTRADA NÃO TRILHADA
ROBERT FROST

TRADUÇÃO ADAPTADA

Duas estradas bifurcavam-se num bosque amarelado
E triste por não poder trilhar ambas,
Sendo eu um só viajante,
Por muito tempo permaneci a olhar para uma delas
Vislumbrando-a tão longe quanto podia,
Até onde havia uma curva com arbustos.
Depois olhei a outra, da mesma forma;
E talvez fosse mais sedutora,
Pois era gramada e pedia para ser usada,
Embora se o tivesse sido,
Teria se desgastado da mesma maneira.
E ambas naquela manhã, ali estavam
Sob folhas que ninguém ainda havia pisado.
Ah! Eu deixei a primeira para outro dia!
Embora soubesse que um caminho leva a outro,
Duvidei de que jamais ali voltaria.
Contarei essa história aos suspiros
Em época e local distantes:
Duas estradas bifurcavam-se em um bosque
E eu tomei a menos usada.
E isso fez toda a diferença.

sábado, 14 de maio de 2011


CÈZANNE - MONTE SANTA VITÓRIA-

A ALTA COLINA
SARA TEASDALE

TRADUÇÃO ADAPTADA

Já devo ter passado pelo cume
E agora estou descendo-
É estranho ter atravessado o topo e não perceber,
Mas espinhos se grudavam todo o tempo na barra da minha saia.
A manhã inteira eu imaginei quanto ficaria orgulhosa
Lá no alto, de pé, elegante como uma rainha,
Envolvida pelo vento e o sol, com o mundo aos meus pés-
Mas estava nublado; eu pouco podia ver.
A trilha era bem nivelada e batida
E espinhos se agarravam à minha saia-
Agora, não adianta pensar em voltar,
O resto do caminho será só descida...

sexta-feira, 13 de maio de 2011


MÃOS- ALBERT DURER -


MONÓLOGO DAS MÃOS
GHIARONI

Para que servem as mãos?
As mãos servem para pedir, prometer, chamar, conceder, ameaçar, suplicar, exigir, acariciar, recusar, interrogar, admirar, confessar, calcular, comandar, injuriar, incitar, teimar, encorajar, acusar, condenar, absolver, perdoar, desprezar, desafiar, aplaudir, reger, benzer, humilhar, reconciliar, exaltar, construir, trabalhar, escrever...
As mãos de Maria Antonieta, ao receber o beijo de Mirabeau, salvaram o trono da França e apagaram a auréola do famoso revolucionário; Múcio Cévola queimou a mão que, por engano matou Porcena; foi com as mãos que Jesus amparou Maria Madalena; com as mãos Davi agitou a funda que matou Golias; as mãos dos Césares romanos decidiam a sorte dos gladiadores vencidos na arena; Pilatos lavou as mãos para limpar a consciência; os anti-semitas marcavam a porta dos judeus com mãos vermelhas como signo de morte!
Foi com as mãos que Judas pôs ao pescoço o laço que os outros não encontraram.
A mão serve para o herói empunhar a espada e o carrasco, a corda; o operário construir e o burguês destruir; o bom amparar e o justo punir; o amante acariciar e o ladrão roubar; o honesto trabalhar e o viciado jogar.
Com as mãos atira-se um beijo ou uma pedra, uma flor ou uma granada, uma esmola ou uma bomba! Com as mãos o agricultor semeia e o anarquista incendeia! As mãos fazem os salva-vidas e os canhões; os remédios e os venenos; os bálsamos e os instrumentos de tortura, a arma que fere e o bisturi que salva.
Com as mãos tapamos os olhos para não ver, e com elas protegemos a vista para ver melhor. Os olhos dos cegos são as mãos. As mãos na agulheta do submarino levam o homem para o fundo como os peixes; no volante da aeronave atiram-nos para as alturas, como os pássaros.
O autor do “Homo Rebus” lembra que a mão foi o primeiro prato para o alimento e o primeiro copo para a bebida; a primeira almofada para repousar a cabeça, a primeira arma e a primeira linguagem.
Esfregando dois ramos, conseguiram-se as chamas. A mão aberta, acariciando, mostra a bondade; fechada e levantada mostra a força e o poder; empunha a espada, a pena e a cruz! Modela os mármores e os bronzes; dá cor às telas e concretiza os sonhos do pensamento e da fantasia nas formas eternas da beleza.
Humilde e poderosa no trabalho, cria a riqueza; doce e piedosa nos afetos medica as chagas, conforta os aflitos e protege os fracos. O aperto de duas mãos pode ser a mais sincera confissão de amor, o melhor pacto de amizade ou o juramento de felicidade. O noivo para casar-se pede a mão de sua amada; Jesus abençoava com as mãos; as mães protegem os filhos cobrindo-lhes as cabeças inocentes.
Nas despedidas, a gente parte, mas a mão fica, ainda por muito tempo agitando o lenço no ar. Com as mãos limpamos as nossas lágrimas e as lágrimas alheias. E nos dois extremos da vida, quando abrimos os olhos para o mundo e quando os fechamos para sempre ainda as mãos prevalecem. Quando nascemos, para nos levar a carícia do primeiro beijo, são as mãos maternas que nos seguram o corpo pequenino. E no fim da vida, quando os olhos fecham e o coração pára, o corpo gela e os sentidos desaparecem, são as mãos, ainda brancas de cera que continuam na morte as funções da vida.
E as mãos dos amigos nos conduzem... E as mãos dos coveiros nos enterram!

OBRA DE MARY CASSAT - IMPRESSIONISTA NORTE-AMERICANA -

POEMA
PRAZER DE SERVIR
GABRIELA MISTRAL
(poetisa chilena - nobel de literatura)


Toda a natureza é um desejo de serviço
Serve a nuvem, serve o vento, servem os vales.

Onde haja uma árvore para plantar, planta-a tu;
Onde haja um erro para emendar, emenda-o tu.

Sê aquele que afasta a pedra do caminho, o ódio dos corações
e as dificuldades de um problema.

Existe a alegria de ser bom e o prazer de ser justo;
Existe, sobretudo a sublime, a imensa alegria de servir.

Como seria triste o mundo se tudo já estivesse feito;
se não houvesse um roseiral para plantar, uma empresa a iniciar!

Que não te atraiam somente os trabalhos fáceis.
É tão belo fazer uma tarefa que outros recusam!

Mas não caia no erro de que só se conquistam méritos, com os grandes trabalhos;

Há pequenos serviços que são imensos serviços:
adornar a mesa, arrumar as cadeiras, espanar o pó.

Aquele é que critica, este é o que destrói;
sê tu o que serve.
O serviço não é só de seres inferiores.

Deus, que dá o fruto e a luz, é o primeiro a servir.
Poder-se-ia chamá-Lo assim: O SERVIDOR.

E Ele, que tem os olhos em nossas mãos, nos pergunta todo dia:
“Serviste hoje? A quem?
“’A árvore, ao teu amigo ou aos teus familiares?”

quarta-feira, 11 de maio de 2011


OBRA DE HOUDON = "LOUISE BROUGNART"

REFLEXÃO
A ARTE COMO EXPRESSÃO DA SENSIBILIDADE

Eliana R.C. Miranzi

Muitas vezes nossa sensibilidade é tocada de maneira tão forte, que não conseguimos nos expressar através da linguagem oral. Necessitamos colocar para fora o que sentimos, senão sufocamos. Tanto faz na alegria, no encantamento, como na tristeza, na angústia, ou sentimento de injustiça.
A criança grita nessas horas. Ao adulto, nem sempre convém gritar. Nosso grito é expresso pela arte. Quando usamos da arte para “gritar” nosso sentimento, fazemos com que ele saia de dentro de nossos corações, ajudando-nos a liberar nossas paixões intensas, nossos instintos primários, nossas dores ou alegrias. Não podemos, continuamente, negar, “fingir” que não existem. Estaríamos negando a vida, pois é a vida que traz esses sentimentos.
Nem sempre somos capazes de criar obras-primas. Mas somos todos capazes de expressar nosso deslumbramento ou nossa insatisfação.
As artes são formas de expressão de sentimentos.
A pintura, a música, a dança, o teatro, etc., são maneiras que o homem criou de jogar para fora o que sente. A obra criada pelo artista não serve apenas a ele. Serve a todos. Não necessariamente somos peritos na interpretação da técnica, ou no valor da obra, ou do talento do artista. Mas não passamos imunes, sem reação, ao observá-la. Ela “mexe” com o que há de mais profundo em nós. Tudo aquilo que “guardamos lá dentro”, tudo o que não fomos capazes, por nós mesmos, de expressar, a observação da arte nos ajuda entender, assimilar, aceitar ou expulsar. Por isso a arte tem importância vital para nós.
A beleza que a arte mostra, mistura de harmonia, ordem e proporção, traz equilíbrio. Este equilíbrio passa para as nossas mentes no momento da observação. A arte nos equilibra.
Pensemos em um quadro ou escultura, numa obra arquitetônica ou numa paisagem natural. [A natureza é a maior obra de arte]. Só de pensar nessas coisas nos sentimos bem.
No teatro, por ex., o ator fala aquilo que desejaríamos falar, grita o nosso grito. O artista chora por nós, ri por nós, xinga por nós. Nós somos “ele”. Porque é como se fôssemos nós que estivéssemos no palco, que tivéssemos pintado a tela ou composto a música. As artes nos purgam, purificam, nos “limpam”. A isso chamamos de “catarse”. “Catarse” é um efeito saudável da arte sobre nós. Traz-nos alívio, libera e cura. É como se estivéssemos envenenados e a arte fosse o antídoto para o veneno.
O conhecimento nos permite sobreviver.
A arte nos permite VIVER.

terça-feira, 10 de maio de 2011


Auguste Rodin - "O PENSADOR" -


REFLEXÃO
Alô, você aí !
COMUNICAÇÃO


Eliana R.C.Miranzi

A comunicação é, também, um aspecto distinto do Homem, se comparado a outros animais.
Ao perceber que era capaz de falar, ou seja, descobrindo a linguagem oral e vendo que este instrumento o possibilitava se comunicar com seus iguais, o homem deu mais um grande passo dentro da evolução.
Muito provavelmente, os primeiros sons orais do homem primitivo não eram ainda palavras, como hoje entendemos este termo.
O homem pode ter começado a se expressar com sons semelhantes a uma musicalidade primitiva. Talvez, quem sabe,
imitando os animais, testando até onde conseguiria ir.
A fala composta de fonemas e palavras, que se referem a um enorme número de coisas, como hoje a conhecemos, deu ao homem a capacidade de expressar seus pensamentos, desejos e sentimentos, trazendo assim uma grande mudança à sua vida, ao seu cotidiano.
Há línguas diferentes, porém todas demonstram um único dom: o da comunicabilidade, exclusiva do ser humano.
Existem várias maneiras de se comunicar; a fala foi a primeira delas.
Quando o homem começou a desenhar nas cavernas, ali se iniciava a linguagem escrita; assim como a primeira expressão da arte.
Ao escrever, falar, desenhar, estamos sempre expressando nosso pensamento: mostrando através de imagens, sons, palavras e textos aquilo que está em nossas mentes e que desejamos comunicar aos nossos semelhantes.
A evolução da cultura por meio da linguagem escrita, milhares de anos depois, tornou possível surgir os vários temas de estudo e fez o homem capaz de adquirir a preciosa habilidade de aprender, sempre mais e mais.
O uso da razão [ pensamento ], imaginação e criatividade, a expressão livre dos desejos e sentimentos [ linguagem ]e a posse do conhecimento são a base de sustentação, sobre a qual foi erguida a civilização.
Para haver civilização, o homem percebeu que era preciso haver organização e criar normas e regras. Sem isso haveria um caos permanente. As sociedades civilizadas são estruturadas a partir destas regras, normas e leis. O trabalho, a vida em família, o lazer, enfim, as atividades humanas são regidas por normas, regras de conduta. Assim, o homem aprendeu a controlar seus impulsos, seus desejos, para poder viver em grupos, comunidades, em sociedade.
Quando vivemos em uma sociedade organizada, vivemos dentro de limites que nos permitam sobreviver. Algumas vezes sentimos, porém, que necessitamos liberar nossos impulsos, quebrar os limites, sair dos trilhos—necessitamos dessas escapadas temporárias do enquadramento social—a arte, o lazer o esporte, etc., são maneiras de pôr para fora toda a pressão colocada em nós pelos limites impostos pela sociedade.
Necessitamos dos limites, da organização, mas precisamos também de extrapolar tudo isso, desde que respeitemos a liberdade e integridade do outro.

segunda-feira, 9 de maio de 2011


LEGS-KENNETH ARMITAGE-

MEUS CAROS AMIGOS,
ESCREVÍ ESTES TRES PRÓXIMOS TEXTOS PARA O INÍCIO DE UMA APOSTILA DO MEU CURSO
DE HISTÓRIA DA ARTE.SÃO DE UNS 08 ANOS ATRÁS, MAS SEMPRE VERDADEIROS.

REFLEXÃO
O CAMINHAR DA HUMANIDADE

Eliana R.C. Miranzi
O Homem se diferencia dos outros animais em vários aspectos
dignos de nossa reflexão. Sabemos destas diferenças. Mas poucas vezes tentamos compreendê-las.
Colocaremos aqui em primeiro lugar, a capacidade que temos de PENSAR. PENSAR, REFLETIR, QUESTIONAR.
Nos primórdios da Humanidade, houve um momento em que o Homem percebeu que podia fazer ferramentas, instrumentos que facilitariam sua sobrevivência. É este momento da História que marca o começo do uso do pensamento, o início do que chamamos de Humanidade. Ao perceber que podia interferir nas coisas, usar os elementos da natureza a seu favor, não se sujeitando passivamente aos fatores preexistentes, o Homem estava “pensando”.
O pensamento vem quando nos defrontamos com dificuldades. É nosso instrumento para solucionar problemas. Mas é, antes de mais nada, a nossa necessidade de entender as coisas. Nossa ignorância, perplexidade e espanto nos levam a refletir, pensar, questionar.
Todos nós já nos admiramos, nos espantamos, ficamos perplexos diante de inúmeros fatores, no decorrer de nossas vidas. Assim como em alguns momentos, nossa curiosidade é despertada por acontecimentos ou fatos com que nos defrontamos.
Os grandes filósofos de todos os tempos pensaram nisso e definiram essa característica humana de várias maneiras. Destes sentimentos, na verdade, é que surgiu a Filosofia.
O desconhecido, além de nos assustar, nos leva à reflexão. E isto faz com que criemos conceitos, definições, fórmulas, ou busquemos respostas à nossa necessidade de compreender, explicar o mundo. A vida fica vazia e sem sentido quando não há perguntas e respostas. Com elas, com o pensamento, criamos um “lugar” nosso no mundo. Existimos. Descartes, filósofo francês do século 17, disse: “Penso, logo existo”. Ou seja: “sou um ser vivente e ocupo um lugar no tempo e no espaço, porque sou capaz de pensar”.
Os questionamentos dos Homens primitivos, inicialmente serviram para ajudá-los a sobreviver. Depois, eles começaram a questionar outras coisas, como, por exemplo, a morte. Esta provoca no Homem inúmeras perguntas: “o que é a vida? O que é o tempo? Como viver melhor? O que é realmente importante? O que passa e o que permanece? O que há depois daqui? Etc.

Os mistérios da vida e da morte, com as conseqüentes perguntas e buscas por respostas que provocam, fazem com que treinemos o uso de nossa imaginação. Pensamento, reflexão, busca de respostas e, por conseguinte, imaginação: o resultado é o despertar da criatividade. É o extrapolar de tudo aquilo que é evidente, óbvio. Ao usarmos estas nossas faculdades mentais, deixamos de ser passivos em relação à natureza com toda a sua força, beleza e perigo, e às surpresas inerentes à vida. E podemos assim interferir em nossos “destinos”, impor nossas vontades, realizar nossos desejos. Isto não quer dizer que sejamos sempre e totalmente bem sucedidos. Mas temos a capacidade de, pelo menos, tentar. E “sonhar” com o melhor.
Ao “pensar”, exercitamos outro dom humano: nossa capacidade de mudar as coisas. Ao fazer isso, descobrimos mais um talento que possuímos: CORAGEM.
CORAGEM para questionar, descobrir quem somos e até onde podemos ir. Coragem para derrubar o medo e as barreiras, mexer no que está estabelecido e não mais nos convém ou nos apetece. Coragem para viver o novo, o até agora desconhecido, sem saber onde vamos chegar. Coragem para receber e lidar com o que nos agrada ou o que nos frusta.
Sem tentativas não há caminhada. E estamos aqui para seguir em frente. Águas estagnadas se tornam venenosas. Onde as águas fluem livremente há VIDA. O que desejamos: VIDA ou o NADA?
Um constante fluir ou uma estagnação fétida, lodosa e inerte? Cabe a cada um de nós a escolha.

domingo, 8 de maio de 2011




ESTA IMAGEM DE ELISEU VISCONTI,TESOURO DA ARTE DO BRASIL,
TRADUZ BEM A "HUMANIDADE" DO "SER MÃE".

PARABÉNS A TODAS AS MÃES.
REVERÊNCIA E RESPEITO.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

estrelas e poemas...


NOITE ESTRELADA - VAN GOGH -

Motivo para este poema, e essas obras de arte?
Saudades de estrelas, saudades de Van Gogh,
Saudades daquilo que é lírico, poético,puro...



Ouvir Estrelas
Olavo Bilac
"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...

E conversamos toda noite, enquanto
A Via Láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir o sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?"

E eu vos direi: "Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas".

quinta-feira, 5 de maio de 2011


OBRA DE VINCENTE VAN GOGH - EXPRESSIONISMO -


CONSTELAÇÃO
ADÉLIA PRADO


OLHAVA DA VIDRAÇA
DERRAMAR-SE A VIA LÁCTEA
SOBRE A MASSA DAS ÁRVORES.
POR CAUSA DO VIDRO, DA TRANSPARÊNCIA DO AR,
OU PORQUE ME NASCIAM LÁGRIMAS,
TINHA A IMPRESSÃO DE QUE ALGUMAS ESTRELAS
MERGULHAVAM NO RIO,
OUTRAS PARAVAM NOS RAMOS.
PASSAGEIROS DORMIAM,
EU CLAMAVA POR DEUS
COMO O CACHORRO QUE SEM AMEAÇA APARENTE
LATIA DESESPERADO NA NOITE MARAVILHOSA:
Ó CORDEIRO DE DEUS, Ó CRUZEURO DO SUL,
Ó CORDEIRO, Ó CRUZEIRO!
COMO O CÃO, MINHA LÍNGUA LADRAVA
À ATERRADORA BELEZA.
(EM:A DURAÇÃO DO DIA - ED.RECORD)

terça-feira, 3 de maio de 2011


JARDINS-ARTE EGÍPCIA ANTIGA -

NINFÉIAS - CLAUDE MONET -IMPRESSIONISTA -
JARDIM
RUBEM ALVES

Um amigo me disse que o poeta Mallarmé tinha o sonho de escrever um poema de uma palavra só. Ele buscava uma única palavra que contivesse o mundo. T.S.Elliot no seu poema “O ROCHEDO” tem um verso que diz que temos “conhecimento de palavras e ignorância da Palavra”. A poesia é uma busca da Palavra essencial, a mais profunda, aquela da qual nasce o universo. Eu acho que Deus, ao criar o universo, pensava numa única palavra: Jardim! Jardim é a imagem da beleza, harmonia, amor, felicidade. Se me fosse dado dizer uma única palavra, Jardim seria palavra que eu diria.
Depois de uma longa espera consegui, finalmente plantar o meu jardim. Tive de esperar muito tempo porque jardins precisam de terra para existir. Mas a terra eu não tinha. De meu, eu só tinha o sonho. Sei que é nos sonhos que os jardins existem, antes de existirem do lado de fora. Um jardim é um sonho que virou realidade, revelação de nossa verdade interior escondida, a alma nua se oferecendo ao deleite dos outros, sem vergonha alguma... Mas os sonhos, sendo coisas belas, são coisas fracas. Sozinhos, eles nada podem fazer: pássaros sem asas... São como as canções, que nada são até que alguém as cante; como as sementes, dentro dos pacotinhos, á espera de alguém que as liberte e as plante na terra. Os sonhos viviam dentro de mim. Eram posse minha. Mas a terra não me pertencia.
O terreno ficava ao lado da minha casa, apertada, sem espaço, entre muros. Era baldio, cheio de lixo, mato, espinhos, garrafas quebradas, latas enferrujadas, lugar onde moravam assustadoras ratazanas que, vez por outra, nos visitavam. Quando o sonho apertava eu encostava a escada no muro e ficava espiando.
Eu não acreditava que meu sonho pudesse ser realizado. E até andei procurando uma outra casa para onde me mudar, pois constava que outros tinham planos diferentes para aquele terreno onde viviam os meus sonhos. E se o sonho dos outros se realizasse, eu ficaria como pássaro engaiolado, espremido ente dois muros, condenado à infelicidade.
Mas um dia o inesperado aconteceu. O terreno ficou meu. O meu sonho fez amor com a terra e o jardim nasceu.
Não chamei paisagista. Paisagistas são especialistas em jardins bonitos. Mas não era isto que eu queria. Queria um jardim que falasse. Pois você não sabe que os jardins falam? Quem diz isto é o Guimarães Rosa: ”São muitos e milhões de jardins, e todos os jardins se falam. Os pássaros dos ventos do céu – constantes trazem recados. Você ainda não sabe. Sempre à beira do mais belo. Este é o jardim de Evanira. Pode haver, no mesmo agora, outro, um grande jardim com meninas. Onde uma Meninazinha, banguelinha, brinca de se fazer Fada... Um dia você terá saudades... Vocês, então, saberão...” É preciso ter saudades para saber. Somente quem tem saudades entende os recados dos jardins. Não chamei um paisagista porque, por competente que fosse, ele não podia ouvir os recados que eu ouvia. As saudades dele não eram as saudades minhas. Até que ele poderia fazer um jardim mais bonito que o meu. Paisagistas são especialistas em estética: tomam as cores e as formas e constroem cenários com as plantas no espaço exterior. A natureza revela então a sua exuberância num desperdício que transborda em variações que não se esgotam nunca, em perfumes que penetram o corpo por canais invisíveis, em ruídos de fontes ou folhas... O jardim é um agrado no corpo. Nele a natureza se revela amante... E como é bom!
Mas não era bem isso que eu queria. Queria o jardim dos meus sonhos, aquele que existia dentro de mim como saudade. O que eu buscava não era a estética dos espaços de fora; era a poética dos espaços de dentro. Eu queria fazer ressuscitar o encanto de jardins passados, de felicidades perdidas, de alegrias já idas. Em busca do tempo perdido... Uma pessoa, comentando este meu jeito de ser, escreveu: ”Coitado do Rubem! Ficou melancólico. Dele não mais se pode esperar coisa alguma...” Não entendeu. Pois melancolia é justamente o oposto: ficar chorando as alegrias perdidas, num luto permanente, sem a esperança de que elas possam ser de novo criadas. Aceitar como palavra final o veredicto da realidade, do terreno baldio, do deserto. Saudade é a dor que se sente quando se percebe a distância que existe entre o sonho e a realidade. Mais do que isso: é compreender que a felicidade só voltará quando a realidade for transformada pelo sonho, quando o sonho se transformar em realidade. Entendem agora por que um paisagista seria inútil? Para fazer o meu jardim ele teria que ser capaz de sonhar os meus sonhos...
Sonho com um jardim. Todos sonham com um jardim. Em cada corpo, um Paraíso que espera... Nada me horroriza mais que os filmes de ficção científica onde a vida acontece em meio aos metais, à eletrônica, nas naves espaciais que navegam pelos espaços siderais vazios... E fico a me perguntar sobre a perturbação que levou aqueles homens a abandonar as florestas, as fontes, os campos, as praias, as montanhas... Com certeza seu mundo interior
Ficou também metálico, eletrônico, sideral e vazio... E com isso, a esperança do Paraíso se perdeu. Pois, como o disse o místico medieval Angelus Silésius:
“Se, no teu centro
Um Paraíso não puderes encontrar,
Não existe chance alguma de, algum dia,
Nele entrar.
Este pequeno poema de Cecília Meireles me encanta, é o resumo de uma cosmologia, uma teologia condensada, a revelação do nosso lugar e do nosso destino:
“No mistério do Sem-Fim,
Equilibra-se um planeta.
E, no planeta, um jardim,
E, no jardim, um canteiro:
No canteiro, uma violeta,
E, sobre ela, o dia inteiro,
Entre o planeta e o Sem-Fim,
A asa de uma borboleta”.
Metáfora: somos a borboleta. Nosso mundo, destino, um jardim. Resumo de uma utopia. Programa para uma política. Pois política é isso: a arte da jardinagem aplicada ao mundo inteiro. Todo político deveria ser jardineiro. Ou, quem sabe, o contrário: todo jardineiro deveria ser político. Pois existe apenas um programa político digno de consideração. E ele pode ser resumido nas palavras de Bachelard: “O universo tem, para além de todas as misérias, um destino de felicidade. O homem deve reencontrar o Paraíso”>(o retorno eterno, pg.65).

segunda-feira, 2 de maio de 2011

rubem alves


LEDA CATUNDA - JARDIM - TRABALHO EM TECIDO-


Jardins
RUBEM ALVES


Comecei a gostar dos livros mesmo antes de saber ler. Descobri que os livros eram um tapete mágico que me levavam instantaneamente a viajar pelo mundo... Lendo, eu deixava de ser o menino pobre que era e me tornava um outro. Eu me vejo assentado no chão, num dos quartos do sobradão do meu avô. Via figuras. Era um livro, folhas de tecido vermelho. Nas suas páginas alguém colara gravuras, recortadas de revistas. Não sei quem o fez. Só sei que quem o fez amava as crianças. Eu passava horas vendo as figuras e não me cansava de vê-las de novo. Um outro livro que me encantava era o “Jeca Tatu“, do Monteiro Lobato. Começava assim: “Jeca Tatu era um pobre caboclo...“ De tanto ouvir a estória lida para mim, acabei por sabê-lo de cor. “De cor“: no coração. Aquilo que o coração ama não é jamais esquecido. E eu o “lia“ para minha tia Mema, que estava doente, presa numa cadeira de balanço. Ela ria o seu sorriso suave, ouvindo minha leitura. Um outro livro que eu amava pertencera à minha mãe criança. Era um livro muito velho. Façam as contas: minha mãe nasceu em 1896... Na capa havia um menino e uma menina que brincavam com o globo terrestre. Era um livro que me fazia viajar por países e povos distantes e estranhos. Gravuras apenas. Esquimós, em suas roupas de couro, dando tiros para o ar, saudando o fim do seu longo inverno. Embaixo, a explicação: “Onde os esquimós vivem a noite é muito longa; dura seis meses.“ Um crocodilo, bocarra enorme aberta, com seus dente pontiagudos, e um negro se arrastando em sua direção, tendo na mão direita um pau com duas pontas afiadas. O que ele queria era introduzir o pau na boca do crocodilo, sem que ele se desse conta. Quando o crocodilo fechasse a boca estaria fisgado e haveria festa e comedoria! Na gravura dedicada aos Estados Unidos havia um edifício, com a explicação assombrosa: “Nos Estados Unidos há casas com 10 andares...“ Mas a gravura que mais mexia comigo representava um menino e uma menina brincando de fazer um jardim. Na verdade, era mais que um jardim. Era um mini-cenário. Haviam feito montanhas de terra e pedra. Entre as montanhas, um lago cuja água, transbordando, se transformava num riachinho. E, às suas margens, o menino e a menina haviam plantado uma floresta de pequenas plantas e musgos. A menina enchia o lago com um regador. Eu não me contentava em ver o jardim: largava o livro e ia para a horta, com a idéia de plantar um jardim parecido. E assim passava toda uma tarde, fazendo o meu jardim e usando galhos de hortelã como as árvores da floresta... Onde foi parar o livro da minha mãe? Não sei. Também não importa. Ele continua aberto dentro de mim.
Bachelard se refere aos “sonhos fundamentais“ da alma. “Sonhos fundamentais“: o que é isso? É simples. Há sonhos que nascem dos eventos fortuitos, peculiares a cada pessoa. Esses sonhos são só delas: sonhos acidentais, individuais. Mas há certos sonhos que moram na alma de todas as pessoas. Jung deu a esses sonhos universais o nome de “arquétipos“. Esses são os sonhos fundamentais. O fato de termos, todos, os mesmos sonhos fundamentais, cria a possibilidade de “comunhão“. Ao compartilhar os mesmos sonhos descobrimo-nos irmãos. Um desses sonhos fundamentais é um “jardim“.
Faz de contas que a sua alma é um útero. Ela está grávida. Dentro dela há um feto que quer nascer. Esse feto que quer nascer é o seu sonho. Quem engravidou a sua alma eu não sei. Acho que foi um ser de um outro mundo... Imagino que o tal de “Big-Bang“ a que se referem os astrônomos foi Deus ejaculando seu grande sonho e soltando pelo vazio milhões, bilhões, trilhões de sementes. Em cada uma delas estava o sonho fundamental de Deus: um jardim, um Paraíso... Assim, sua alma está grávida com o sonho fundamental de Deus...
Mas toda semente quer brotar, todo feto quer nascer, todo sonho quer se realizar. Sementes que não nascem, fetos que são abortados, sonhos que não são realizados, se transformam em demônios dentro da alma. E ficam a nos atormentar. Aquelas tristezas, aquelas depressões, aquelas irritações - vez por outra elas tomam conta de você – aposto que são o sonho de jardim que está dentro e não consegue nascer. Deus não tem muita paciência com pessoas que não gostam de jardins...
Menino, os jardins eram o lugar de minha maior felicidade. Dentro da casa os adultos estavam sempre vigiando: “Não mexa aí, não faça isso, não faça aquilo...“ O Paraíso foi perdido quando Adão e Eva começaram a se vigiar. O inferno começa no olhar do outro que pede que eu preste contas. E como as crianças são seres paradisíacos, eu fugia para o jardim. Lá eu estava longe dos adultos. Eu podia ser eu mesmo. O jardim era o espaço da minha liberdade. O jardim era o espaço da minha liberdade. As árvores eram minhas melhores amigas. A pitangueira, com seus frutinhos sem vergonha. Meu primeiro furto foi o furto de uma pitanga: “furto“ – “fruto“ – é só trocar uma letra... Até mesmo inventei uma maquineta de roubar pitangas... Havia uma jabuticabeira que eu considerava minha, em especial. Fiz um rego à sua volta para que ela bebesse água todo dia. Jabuticabeiras regadas sempre florescem e frutificam várias vezes por ano. Na ocasião da florada era uma festa. O perfume das suas flores brancas é inesquecível. E vinham milhares de abelhas. No pé de nêspera eu fiz um balanço. Já disse que balançar é o melhor remédio para depressão. Quem balança vira criança de novo. Razão por que eu acho um crime que, nas praças públicas, só haja balancinhos para crianças pequenas. Há de haver balanços grandes para os grandes! Já imaginaram o pai e a mãe, o avô e a avó, balançando? Riram? Absurdo? Entendo. Vocês estão velhos. Têm medo do ridículo. Seu sonho fundamental está enterrado debaixo do cimento. Eu já sou avô e me rejuvenesço balançando até tocar a ponta do pé na folha do caquizeiro onde meu balanço está amarrado!
Crescido, os jardins começaram a ter para mim um sentido poético e espiritual. Percebi que a Bíblia Sagrada é um livro construído em torno de um jardim. Deus se cansou da imensidão dos céus e sonhou... Sonhou com um... jardim. Se ele – ou ela – estivesse feliz lá no céu, ele ou ela não teria se dado ao trabalho de plantar um jardim. A gente só cria quando aquilo que se tem não corresponde ao sonho. Todo ato de criação tem por objetivo realizar um sonho. E quando o sonho se realiza, vem a experiência de alegria. Nos textos de Gênesis está dito que, ao término do seu trabalho, Deus viu que tudo “era muito bom.“ O mais alto sonho de Deus é um jardim. Essa é a razão porque no Paraíso não havia templos e altares. Para que? “Deus andava pelo meio do jardim...“ Gostaria de saber quem foi a pessoa que teve a idéia de que Deus mora dentro de quatro paredes! Uma coisa eu garanto: não foi idéia dele. Seria bonito se as religiões, ao invés de gastar dinheiro construindo templos e catedrais, usassem esse mesmo dinheiro para fazer jardins onde, evidentemente, crianças, adultos e velhos poderiam balançar e tocar os pés nas folhas das árvores. Ninguém jamais viu a Deus. Um jardim é o seu rosto sorridente... E se vocês lerem as visões dos profetas, verão que o Messias é jardineiro: vai plantar de novo o Paraíso: nascerão regatos nos desertos, nos lugares ermos crescerão a murta (perfumada!), as oliveiras, as videiras, as figueiras, os pés de romã, as palmeiras... E lá, à sombra das árvores, acontecerá o amor... Leia o livro dos “Cânticos dos Cânticos“!
Pensei, então, que o ato de plantar uma árvore é um anúncio de esperança. Especialmente se for uma árvore de crescimento lento. E isso porque, sendo lento o seu crescimento, eu a plantarei sabendo que nem vou comer dos seus frutos e nem vou me assentar à sua sombra... Eu a plantarei pensando naqueles que comerão dos seus frutos e se assentarão à sua sombra. E isso bastará para me trazer felicidade!